Durante meu período no cerrado mato-grossense, pude ver, ouvir e fazer diversas coisas fora do usual, e hoje não foi diferente. Estava eu a noite fazendo coleta de aracnídeos em uma mata próxima ao local onde ficávamos alojados, como todo cerrado strictu sensu (a mata era densa e de difícil locomoção), nos deixando vulneráveis pois não tínhamos como correr, ainda mais à noite.

Neste cenário comecei a ouvir barulhos de folhas sendo arrastadas, logo fiquei apreensivo achando que poderiam ser caçadores ou algum outro ser humano, animal mais perigoso da selva, porém vasculhando com a lanterna não achei ninguém próximo de mim.

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Novamente, ouvi o chacoalhar de folhas, cada vez mais próximo, fiquei mais apreensivo agora com a possibilidade de ser uma onça ou algum animal perigoso, e comecei a rapidamente me movimentar para um local onde sabia que a mata era mais aberta, sempre com a luz procurando de onde vinha os barulhos.

De repente, quase chegando a área de clareira, consegui achar de onde vinham os ruídos, era um Tamanduá-bandeira, e acredite, é um animal muito maior do que as pessoas imaginam, pouco maior que um cão labrador.

Sempre ouvi dizer que este animal era territorialista, mas nunca imaginei o quanto. Em menos de um segundo após o avistamento dele a mim e de mim a ele, ele se pôs em uma disparada frenética em minha direção.

Meu primeiro instinto foi correr na direção oposta, pois mesmo sendo um animal "inofensivo" o instinto falou mais algo.

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Corri em direção a clareira e um pouco antes de alcançá-la percebi que o Tamanduá iria chegar em mim primeiro, subi então em uma árvore próxima. O animal parou em baixo da árvore e tentou escalar (ou me afugentar) durante um tempo, depois saiu e sumiu na mata.

Quando se passaram quase 10 minutos resolvi descer e reportar o que havia acontecido para meus colegas que se encontravam na clareira. Eles então me explicaram que o Tamanduá é extremamente territorialista e que fiz bem de ter corrido, pois este possui garras enormes que poderiam ter me feito um grande estrago (pense que ele quebra cupinzeiros).

Devemos lembrar também que este animal foi alvo durante muito tempo, e é até hoje, de caçadores, além de ter associado sua língua com afrodisíacos naturais, e esta reação é bastante característica de #Animais se sentindo ameaçados. Por isso, cuidado, sempre que for ao mato, certifique-se de ter rotas de fuga, já pensou se fosse uma onça?