Depois da notícia que 2014 foi o ano mais quente da história, o começo de 2015 parece tomar o mesmo rumo, pelo menos no Brasil. Temperaturas acima de 30 graus foram registradas em todas as regiões do país e chegaram a marca dos 36 em São Paulo, recorde para a cidade, durante o último final de semana. Paulistas lotaram piscinas e parques aquáticos, e as estradas para as principais praias do estado estavam congestionadas. Boa notícia para hoteleiros e estabelecimentos litorâneos. Já para os reservatórios que abastecem a região metropolitana, o calor e a ausência de chuva não são bem vistos. De acordo com a Sabesp, o Cantareira chegou nesta segunda-feira a 5,8% de sua capacidade.

Publicidade
Publicidade

Desde o dia 11 de janeiro, o sistema cai 0,1% diariamente e este valor já conta a segunda cota do volume morto (água do fundo do reservatório).

As chuvas sobre a região do Cantareira têm ficado abaixo da expectativa para o período. Nos últimos 20 dias, a pluviometria acumulada é de 60,9 milímetros - cerca de 35% do volume esperado. O reservatório é responsável por abastecer 6,5 milhões de pessoas na Grande São Paulo. Outros sistemas também estão operando com níveis abaixo do normal e estão esperando um verão com muita chuva para aumentar o volume de água. O Alto Tiete opera com 10,4% da sua capacidade e abastece 4,5 milhões de pessoas no leste da capital e Grande São Paulo. A represa Guarapiranga registra 38,9% e fornece água para 4,9 milhões de pessoas. Já o reservatório de Rio Claro que abastece 1,5 milhão de paulistas opera com 23,2% de sua capacidade.

Publicidade

A tendência histórica é que as chuvas diminuem a partir de Abril e geralmente Julho tende ser o mês mais seco do ano. Se a capacidade do Cantareira atualmente esta abaixo dos 10%, durante o inverno a situação se prevê crítica. Porém os problemas enfrentados por São Paulo no abastecimento de água não são apenas condições climáticas atípicas, mas também a falta de planejamento do governo do estado. Segundo Newsha Ajami, pesquisadora da Universidade de Stanford na Califórnia, o baixo nível dos reservatórios paulistas é agravado pela falta de soluções e gerenciamento. De acordo com Ajami, uma das saídas seria descontaminar o rio Tiete e utiliza-lo para o abastecimento. "Fiquei impressionada que em São Paulo tem um rio que atravessa a cidade e ninguém o considerou como recurso", afirmou a pesquisadora.

Já o geólogo Pedro Côrtes faz uma previsão mais pessimista para a falta de água em São Paulo. "A situação vivida pela população ao longo do ano de 2014 ainda não foi dramática", acrescentou Côrtes.

Publicidade

Segundo pesquisadores a crise não será apenas hídrica, mas também econômica. A capital paulista deve entrar em colapso total até o final de 2015. Provavelmente indústrias irão promover demissões em massa pela falta de água na produção de produtos e com isso, famílias terão que migrar para outras regiões. O governador de São Paulo, Geraldo Alckimin, já afirmou utilizar a terceira cota do volume morto do Cantareira, além de obras como a interligação entre o Paraíba do Sul com o principal reservatório do estado e multas para quem desperdiça do estado. Porém segundo os especialistas, a reação dos governadores é atrasada e lenta.