No Brasil há, no momento, a ameaça de falta de energia elétrica. Em função disso, o ministro Eduardo Braga diz que não falta. Não falta? Sim, não falta porque o Brasil importa energia de outros países vizinhos. É sabido que a transferência aconteceu na terça-feira, pela importação de 165 megawattts da Argentina no apagão que puniu 11 estados e mais o Distrito Federal. E ainda pode usar 30 megawatts da cota pertencente ao Paraguai na usina de Itaipu, a binacional.

17 das 18 usinas hidrelétricas estão em níveis baixíssimos, sendo a de nível mais baixo a da Ilha/Três Irmãos, exatamente em São Paulo, com o nível zero.

Por isso, importação de energia elétrica, da Argentina aconteceu entre 10h20min e 12 h e entre 13 e 17 h de terça-feira, na oportunidade com um terço do volume de 1 500 megawts, o reforço destinado de energia para o sudeste.

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Há, em torno dessa situação, a afirmação do coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico da UFRJ, Nivaldo de Castro, de que a importação como se verificou mostra que a capacidade das nossas usinas é insuficiente para atender ao consumo, mormente nos horários de pico (aliás, o horário de pico, agora no calor, está, mais ou menos, entre 13 e 16 horas, graças ao ar condicionado ligado).

No sentido mais amplo, podemos entender que o aparelhamento político do Ministério de Minas e Energia, a exemplo de outros órgãos governamentais, procura esconder ou disfarçar a realidade. Por isso, o apagão é resultado de arrogância, comum neste governo. Além disso, mais amplo ainda, a constatação de que obras importantíssimas como, entre outras, a da transposição do rio São Francisco, estão paradas ou inacabadas há anos.

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Há um outro apagão para o qual se tem tentado importar algo que possa evitá-lo. Um remédio que é bom apenas para quem o receita, e não para os que dele precisam. Mas funciona em doses diminutas, racionadas, apenas aparentemente suficientes, como um consolo. Está sendo receitado em países como Uruguai, Venezuela, Bolívia, Cuba. E, em parte, no Brasil. Quem o receita colhe os frutos inteiros, quem dele desfruta diretamente, frutos em minúsculos pedaços. Mas há outros: os intermediários, os representantes, os beneficiários. Donos de situação invejável, donos do poder.

Nossa sorte é que ainda há os que realmente produzem, distribuídos em empreendedores e trabalhadores, donos da energia que o país precisa. Utilizam-se do seu trabalho e esforço na verdade de suas vidas bem intencionadas, buscam na luta política e na inteireza do voto a construção e a reconstrução da democracia e a prática da liberdade de #Opinião e escolha da solução dos problemas da nacionalidade. Infelizmente sofrem, em situações como nas eleições, com mentiras e golpes que levam os mais crédulos a se enganarem, mas continuam porque o outro grande remédio de que dispõem é perseverança, aliada à certeza de que apagões são temporários e que a luz é eterna e inconfundível.

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Apagões existem quando veem seus governantes buscando importar ideias que não pertencem à tradição do regime democrático, embora tentadoras. Se há apagões assim, de onde vem a energia, afinal? Vem da união do povo contra os que o enganam. Está na força da democracia.

Eleições são a confirmação dessa força. Mas há exceções. Na Bolívia, o presidente Evo Morales toma posse em terceiro mandato, misturando política e religião, dentro de seu plano de perpetuação no poder, a exemplo do presidente da Venezuela. A presidente Dilma acompanha, no Congresso, a posse oficial de Evo Morales. Infelizmente em apagão.

Apagão também existe assim.