O antigo Rivulus marmoratus foi descoberto pelo ictiologista cubano Felipe Poey Aloy em 1880, em Cuba. Só foi redescrito em 1958, à ocasião de uma coleta da espécie na Flórida, por Robert W. Harrington e Luis R. Rivas. Até então, sabia-­se da sua ocorrência apenas em países do Caribe. Passou, recentemente, a fazer parte do gênero Kryptolebias - Costa, junto com K. caudomarginatus e K. brasiliensis. São peixes que habitam regiões de baixada próximas ao litoral, principalmente áreas de restinga e estuários, muito encontrados em mangues. É amplamente distribuído no continente americano, desde a região central do estado da Flórida, nos Estados Unidos, até o sul do Brasil.

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Seu biótopo típico são mangues sujeitos à ação da maré, com variações constantes de parâmetros da água, principalmente salinidade. Poucos peixes são capazes de sobreviver em tal ambiente; as ocellatus se especializaram e passaram a dividir espaço com espécies bastante diversas de caranguejos, camarões e alguns caracídeos e gobídeos que podem porventura ocorrer nos biótopos. Em muitos casos é encontrado vivendo em simpatia com K. caudomarginatus.

É uma espécie bastante curiosa, sendo seu comportamento reprodutivo relativamente bem conhecido. Na #Natureza, ocorrem principalmente indivíduos hermafroditas, mas há relatos de indivíduos com sexo definido - machos de forte coloração amarela e comportamento reprodutivo normal. Acredita-se que seja um mecanismo natural de defesa contra mutações genéticas, que poderiam comprometer as populações da espécie.

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Outra suspeita é de que distúrbios radicais no meio a sua volta e mudanças repentinas de parâmetros e qualidade da água venham a atuar diretamente nesse mecanismo. O fato de serem peixes hermafroditas autofecundantes implica que cada descendente terá a mesma carga genética da mãe. São clones homozigotos, idênticos por muitas gerações. Há um biótopo da espécie em Belize, ao sul do México, onde indivíduos, isolados pela grande barreira de corais ao litoral daquele país, apresentam uma taxa de machos bastante elevada, chegando a 25% da população e, consequentemente, uma alta taxa de heterozigose e troca de material genético durante a reprodução.

Dotado de diversas particularidades, o K. ocellatus possui outra incrível habilidade: a respiração cutânea. Uma extensa rede de vasos sob o tecido da pele e das nadadeiras cumpre a função respiratória, conferindo a esta espécie a surpreendente capacidade de ficar fora d'água por horas ou vários dias, em ambiente úmido. São conhecidos casos de populações que utilizam tocas abandonadas de caranguejos, escavadas no fundo dos córregos e canais.

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Essa característica lhe permite, também, se locomover fora d'água, sobre a terra, por longas distâncias. ou ficar grudado em plantas por bastante tempo. Quando a condição da água está crítica procuram emergir à espera de melhora, com a volta da maré (ou alguma troca de água oportuna). Por sua extensa ocorrência em faixas litorâneas do continente, essa espécie não se encontra ameaçada em seu estado de conservação. Salvo algumas das muitas populações, que desaparecerem junto com os mangues e restingas. Se levarmos em conta as incríveis habilidades deste peixe, ele um verdadeiro sobrevivente.





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