A falta de água nunca preocupou tanto os brasileiros, afinal, as previsões eram que o país passaria pelos problemas atuais só daqui a algumas décadas. A má notícia é que a crise hídrica não ameaça somente o abastecimento de água e energia elétrica, mas também a produção de alimentos. Segundo José Graziano da Silva, chefe da FAO e diretor-geral da agencia da ONU de segurança alimentar, a estiagem deve causar aumento de preço nos alimentos básicos nos próximos meses.

Para Graziano, o Brasil precisa investir na produção de culturas mais resistentes às secas e ampliar os estoques de comida. O país não faz uso de irrigação em grande escala e por isso fica à mercê de um sistema de chuvas regulares, ou seja, quando esse sistema não funciona, toda a produção é afetada.

Publicidade
Publicidade

A FAO avaliou que esse ano o El Niño teve um impacto muito maior do que o esperado, pois esse fenômeno nunca chegou a ameaçar o abastecimento das cidades como o que está acontecendo. Essa época do ano é o período das águas no Brasil, mas deveria estar chovendo muito mais, pois na região centro-sul é possível observar deficiência hídrica de um metro de água.

A previsão é que as chuvas voltem ao normal em setembro, quando se inicia o ano agrícola. Porém, até isso acontecer, o Brasil enfrentará a falta de água e todos os problemas que isso traz. Essa estiagem prolongada está expondo a deficiência de planejamento das grandes cidades e prejudicando a agricultura.

Atualmente, é possível verificar que até mesmo a safra de cana, que é resistente a seca, está sendo prejudicada.

Publicidade

Os ciclos de seca que antigamente aconteciam a cada cem anos, agora estão acontecendo a cada 20 anos.

Graziano alerta que a única solução é investir em estoques, como os de milho. Também é importante trabalhar na adaptação de culturas ao clima seco. A Embrapa, por exemplo, já está desenvolvendo um novo tipo de arroz. Outra prática importante seria substituir culturas. Por exemplo, a quinoa tem valor nutritivo maior que o arroz e demanda menos água em sua produção.