A Fundação SOS Mata Atlântica coordenou um levantamento em 111 córregos, lagos e rios brasileiros. O estudo aponta que praticamente 1/4 está com a qualidade de suas águas em condições ruins ou péssimas. A coleta dos dados foi feita durante quase um ano - entre os meses de março de 2014 e fevereiro de 2015 - no Distrito Federal e em mais 5 estados, especialmente São Paulo e Rio de Janeiro. Ao todo, a pesquisa abrangeu 45 municípios. Os resultados foram divulgados na semana do Dia da Água, 22 de março de 2015.

A pesquisa demonstra que só 15 % das águas de rios e mananciais são consideradas de qualidade boa; 61% tiveram avaliação regular, 21,6% foram consideradas ruins e 1,7% foram classificadas como péssimas.

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Foi em locais onde as matas ciliares encontram-se protegidas que a qualidade da água obteve índices superiores.

Foram monitorados 117 pontos, no Estado de São Paulo. Os resultados sobre a qualidade da água foram estes:

  • 52,1% - regular;
  • 39,3% - ruins;
  • 4,3% - boa;
  • 4,3% - ruim.

Sobre a qualidade das águas no Estado do Rio de Janeiro, que teve 175 pontos avaliados, foram apresentados os seguintes índices:

  • 68,6% - regular;
  • 22,3% - boa;
  • 9,1% - ruim.

Rios, lagos e córregos de Brasília e nos estados de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Santa Catarina também foram analisados. O levantamento apresentou os seguintes resultados acerca da qualidade da água:

Brasília

  • Córrego do Urubu - regular.

Santa Catarina

  • Rio Mãe Luiza - regular.

Minas Gerais

  • Rio Jequitinhonha - regular.
  • Rio Mutum - ruim
  • Córrego São José - ruim.

Rio Grande do Sul

  • Lagoa do Peixe - boa.
  • Rio Tramandaí - regular.
  • Lago Guaíba - ruim.

Para a coordenadora da Rede das Águas da Fundação SOS Mata Atlântica, Malu Ribeiro, a condição precária dos rios urbanos analisados demonstra a urgência de investimentos em saneamento básico.

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Ela também salientou que a escassez de água no sudeste brasileiro está associada aos efeitos da poluição e não somente pela falta de chuva - pois águas classificadas como ruins e péssimas têm seu uso inviabilizado.

Um dos efeitos da seca em São Paulo, segundo Malu Ribeiro, foi à diminuição do escoamento de poluentes. Com isso, a poluição difusa - resíduos sólidos, sedimentos contaminados, fuligem dos automóveis e outros componentes que deslizam até os rios através das chuvas - reduziu, e, somado a coleta e tratamento nas microbacias de São Paulo, elevou o patamar da qualidade das águas nos pontos pesquisados, em comparação às amostras anteriores.

O número de resíduos sólidos descartados na proximidade de rios subiu na cidade do Rio de Janeiro. Esse fato somado "à falta de investimentos em saneamento básico" e a proliferação de algas - devido ao calor da região - que captam o oxigênio da água desencadearam um odor maior e acelerou a perda da qualidade, segundo Malu Ribeiro.

As informações são do site da Fundação SOS Mata Atlântica. #Natureza