O Sistema Cantareira ganhou repercussão nacional ao bater muitos recordes negativos desde o agravamento da estiagem atípica que atingiu a Região Sudeste no ano passado, assombrando a população da maior cidade do país e de algumas das principais cidades do Interior Paulista (dentre elas Campinas) com a ameaça (muitas vezes concretizada) da falta de água.

Muitas pessoas que moram na Capital e na Região Metropolitana não sabiam de onde vinha a água que chega às suas torneiras. Mas não podemos criticá-las, mesmo porque é muito difícil entender que uma cidade cortada por dois grandes rios, dentre eles o Tietê, o mais importante do Estado e que nasce a poucos quilômetros antes de atravessá-la (portanto, teoricamente, sem "tempo" para que fosse poluído), e que possui uma grande represa, que é a Billings, precise de uma "ajuda externa". Mais do que isso, praticamente descarte o uso das águas desses importantes recursos hídricos no seu abastecimento. 


A previsão de que o abastecimento da Grande São Paulo entraria em colapso foi feita no início da década de 70, fazendo com que em 1974 entrasse em operação o Sistema Cantareira, formado por seis represas que teriam suas águas bombeadas para abastecer a região metropolitana. A primeira outorga (direito do uso da água, dada pelo Ministério de Minas e Energia à Sabesp) teve validade de 30 anos. 


Nesse período aconteceram diversos "imprevistos", como o crescimento populacional da região metropolitana e, principalmente, das cidades do interior terem sido maiores do que os estimados. Cidades que antes eram pequenas ultrapassaram a marca dos 100 mil habitantes, e rodovias como a Anhanguera e a Bandeirantes atraíram muitas indústrias. Sem contar Campinas, que com seus mais de 1 milhão de habitantes é maior do que muitas capitais brasileiras. 


A primeira renovação da outorga ocorreu em 2004, e teve grandes embates envolvendo o Interior (que trazia para a mesa de discussões 30 anos de agonias dos seus rios, e um histórico e gigantesco abraço realizado pela população no Rio Piracicaba) e a Região Metropolitana (que trazia para a mesa a necessidade de água da sua população e das suas grandes indústrias). Após muitas discussões, agora intermediadas pela Agência Nacional de Águas (ANA), a renovação foi feita pelo período de 10 anos. 


Período este que se encerrou em agosto do ano passado, seis meses após o Rio Piracicaba ter sofrido uma das maiores (se não a maior) mortandades de peixes da sua história, quando mais de 20 toneladas de peixes mortos, dentre eles o dourado, ameaçado de extinção, cobriram o leito do rio em seu trecho urbano que corta Piracicaba devido à má qualidade das águas dos nossos rios.

Na mesa de discussões, que prometem ser mais polêmicas que o uso do volume morto e o uso das águas extremamente poluídas da Represa Billings, teremos de um lado a Capital e as suas necessidades, e do outro grandes e importantes cidades do Interior que não querem mais ceder as suas águas e ficar com aproximadamente 10% do que é destinado à Capital.

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Um verdadeiro e gigantesco "abacaxi" para ser descascado pelos nossos governantes. #Natureza #Animais