Em plena #Crise econômica, é surpreendente porque as cidades ainda não reclamaram para si um investimento que pode ser negociado nas bolsas de valores internacionais e obter algum crédito extra em tempos de escassez de recursos. O nome do investimento é crédito de carbono ou redução certificada de emissões (RCE) utilizando o conceito de carbono equivalente, o quanto de dióxido de carbono (CO2) é produzido durante a atividade humana. Por exemplo, a emissão de gases de um ônibus urbano pode ser compensada pelo plantio de árvores na região. Por outro lado, as cidades podem aumentar a área verde além de seu próprio nível de consumo de CO2 e vender o equivalente para que outros processos humanos sejam compensados.

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A Presidente do Brasil anunciou que vai incentivar esse mecanismo na COP21.

Como começar: ache uma agência que negocie créditos de carbono

A maioria das cidades já possui fotos aéreas ou de satélite, que podem aferir a densidade de verde existente e expedir um ponto de referência em que a cidade se encontra e que possa servir de parâmetros para a compensação de carbono equivalente, pelo plantio de mais árvores em regiões já devastadas ou adensando em regiões de parques. O adensamento pode ser planejado pelo plantio de árvores com copas mais robustas e árvores mais altas, que auxiliem a criação de microclimas mais agradáveis (com temperaturas mais amenas e mais umidade), como em bosques urbanos e nas laterais das rodovias. Já a recuperação de áreas devastadas pode ser obtido pelo plantio de árvores nas ruas, visando a cobertura de áreas asfaltadas com copas mais largas das árvores, visando a redução de incidência solar direta sobre o chão e reduzindo a temperatura média do solo, principalmente durante o período noturno, quando o concreto e o asfalto emitem a energia acumulada durante o dia.

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Para começar será necessário mudar o comportamento de cortar árvores

A cultura popular é um dos obstáculos mais difíceis de transpor, pois é um senso comum que árvores sujam com folhas, quebram calçadas e asfaltos, além de proibir ou reduzir o número de vagas para estacionar carros em ambientes urbanos, onde o uso deste transporte é o prioritário. A contra-argumentação deveria vir sob a forma econômica, com a redução de impostos ou incentivos de marketing para promover as árvores, como a diminuição da sensação de calor que aumenta a cada ano nos ambientes centrais das cidades. Nesse sentido, o uso dos créditos de carbonos poderia ser usado para compensar a “perda” de receita ocasionada pelos incentivos com o adicional de aumentar a qualidade de vida dos habitantes locais. A administração da cidade poderia ainda obter outros resultados colaterais, tais como moderação da temperatura, redução das dimensões das galerias pluviais devido ao aumento da permeabilidade do solo, planejamento e acumulação de água de re-uso para revenda a preços inferiores aos da água tratada (visando a rega de jardins, lavagens de carros, entre outras aplicações).

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Uma vez escolhida a política pública para fazer uso dos créditos de carbono, várias soluções arquitetônicas já estão disponíveis na literatura, que vão desde fechamento de ruas com árvores, paredes verdes, ou vasos de concreto com árvores para evitar danos.

Qual a posição da sua cidade? Você não gostaria de pagar menos IPTU – Imposto Predial e Territorial Urbano? #Natureza #Mudança do Clima