Matérias divulgadas pela Agência Brasil trazem divergências de especialistas sobre o uso de pulverização por aeronaves no combate à pragas em lavouras. A medida é tema "espinhoso" entre ambientalistas e está mais exposta desde que o presidente em exercício, Michel Temer, sancionou lei, no fim de junho, permitindo o uso da medida para combater o aedes aegipty, transmissor da zika, doença que pode causar microcefalia em bebês.

A favor

Para o engenheiro agrônomo Ulisses Antuniassi, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o método é "imprescindível" para o agronegócio brasileiro, em virtude das altas extensões de terras produtivas.

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Ele defende o aperfeiçoamento da prática e diz que uma medida que venha a proibir o uso é "desproporcional". Para o pesquisador, "(...) não tem cabimento dentro do contexto de um país agrícola tão importante. Se numa eventualidade houvesse uma proibição, teríamos um prejuízo muito grande para culturas que não têm outras opções. Entendo que a aplicação aérea não deve ser proibida. Ela deve ser regulamentada e fiscalizada”, pondera.

Para justificar, o pesquisador utiliza o exemplo da cana-de-açúcar e da bananeira, plantas altas que, na sua opinião, inviabilizam a pulverização por terra.

Contra

Já para o professor Wanderley Pignati, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), que já periciou dois casos de intoxicação por uso de pulverizadores, a medida provoca danos ao meio ambiente. “O avião passa ao lado e, de qualquer jeito, o vento vai levar para um lado ou para outro.

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Essa história de que o vento não leva o veneno para outro lugar fere os princípios da aviação inclusive, pois se o vento estiver parado, o avião nem levanta voo”, disse em um evento na Assembleia Legislativa do Ceará, em maio.

Ceará quer proibir

No estado do Ceará, na região Nordeste do país, uma iniciativa legislativa pretende acabar com a prática: trata-se de proposição feita pelo deputado estadual Renato Roseno (Psol), que defendeu a sua proposta com motivos ambientalistas. A lei foi batizada com o nome de "Zé Maria do Tomé", líder ambientalista assassinado em 2010 por defender o fim do uso dos agrotóxicos. #Governo #Agricultura #Mudança do Clima