O desenvolvimento do estado do #Amazonas sempre foi subsidiado pelo governo federal sem a preocupação com um planejamento efetivo que viesse garantir durabilidade aos benefícios desse desenvolvimento. Foi assim no início da colonização quando o subsídio à navegação fluvial estimulou a ocupação da Amazônia e a exploração dos recursos naturais. Em consequência, várias fazendas se estabeleceram às margens dos rios; depois, pequenas comunidades deram origem aos 61 municípios amazonenses. De então para cá, multiplicaram-se as concessões àqueles que se propõem a investir na região.

A Zona Franca de Manaus (ZFM) é um exemplo dessa política de subsídios que consistiu numa alternativa para o desenvolvimento regional e que teve um grande impacto para o crescimento da cidade de Manaus.

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A ZFM contribuiu de forma específica para o processo de migração interior-capital, mudando o padrão de povoamento regional, intensificando o ritmo de urbanização e, naturalmente, somando mais impactos ambientais.

No entanto, não é o crescimento da população o principal fator de desequilíbrio ambiental. Percebe-se que as práticas mais nocivas para o ambiente são a impunidade desfrutada pelas classes dirigentes, a corrupção e os privilégios que acompanham as ações desses grupos que fazem uso abusivo dos recursos naturais.

Apesar do cuidado na elaboração de políticas públicas bem formuladas e abrangentes, o descompasso entre a teoria e a prática tem sido um problema recorrente na política brasileira, com reflexos no Amazonas. Esse descompasso produz inércia na administração pública e dessa contradição decorrem disparidades e equívocos, tornando impossível sanar os problemas da cidade.

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E não só porque a própria administração poderá fazerparte dos grupos que angariam “benesses”. A inércia é cultural, fruto talvez do velho costume de não questionar as concessões.

Um lado da nossa realidade mostra uma zona rural subdesenvolvida e carente, e do outro lado, as populações dos centros urbanos dos municípios, principalmente os da capital do Estado, convivendo com invasões, moradias impróprias, desemprego, violência e desnutrição, além dos problemas relacionados com o clima naturalmente quente e úmido, mas cada vez mais quente e menos úmido.

Pode parecer difícil estabelecer a relação entre a ineficácia das políticas voltadas para a região e as mudanças do clima, mas um olhar um pouco mais atento vai encontrar evidências fortes dessa relação.

A história nos mostra que as políticas sempre dirigidas para a ocupação da Amazônia, tiveram como resultado o desmatamento crescente da floresta amazônica. Verificou-se, em 2015, um crescimento de 27% no desmatamento da floresta só no estado do Amazonas.

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Desmatar significa restringir o poder da floresta de regular o clima, interferindo na sua importante função de formar nuvens que, por sua vez, são deslocadas por longas distâncias. Desmatar significa também interferir na vida de outras regiões brasileiras, diminuindo as chuvas, prejudicando a #Agricultura e o desenvolvimento dessas regiões.

Uma pesquisa coordenada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) no âmbito do projeto Vulnerabilidade à #Mudança do Clima, feito em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, revela algumas dessas evidências. Dizem os dados da pesquisa que Manaus e a região metropolitana poderão apresentar uma elevação acima dos 4°C para os próximos 25 anos. Esse fato foi associado à realidade do desmatamento crescente e da poluição, apontando impactos futuros ao ambiente.

Outras projeções, feitas pela pesquisa em questão, indicam consequências diretas na região amazônica. Mudanças do clima poderão provocar alterações no período das cheias dos rios, secas e inundações. “Estes fenômenos climáticos poderiam impactar a irrigação, a perda do potencial de pesca e a redução da produção agrícola, afetando diretamente a segurança alimentar das populações que vivem nessa região”, disse Reginaldo Alves, da Fiocruz de Minas.