Iemanjá é um dos orixás mais famosos do sincretismo religioso brasileiro. Considerada a padroeira dos pescadores, o culto em sua homenagem é um dos maiores do candomblé, sendo celebrado no segundo dia de fevereiro. Em Salvador, esta celebração alcança o seu ápice, aglomerando milhares de pessoas nas praias do bairro do Rio Vermelho.

Entretanto, a festa que antes era uma pequena celebração, tornou-se um evento de grandes proporções, adquirindo uma amplitude que muito ultrapassa a questão religiosa. Embora os festejos a Iemanjá seja uma das mais tradicionais e populares celebrações da religiosidade afro descendente, traz em voga a polêmica temática ambiental.

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Justamente o orixá responsável por velar pelos mares e oceanos, é o que mais polui e compromete a vida marinha durante os dias de sua celebração.

A festa de Iemanjá

Regada a muitos louvores e oferendas, anualmente, milhares de fiéis trajados de branco vêm deixar presentes à rainha do mar e aproveitar para agradecer e pedir proteção. Shows também movimentam os festejos, fazendo jus ao famoso jargão do espírito sagrado e profano, típico da Bahia.

Organizada originalmente pelos pescadores da Colônia de Pesca Z1 do Rio Vermelho, a celebração acontece desde o ano de 1974. Ali, milhares de pessoas se reúnem à beira-mar para oferecer seus presentes à Iemanjá e assistir à saída das embarcações, fazendo com que esta seja uma das mais belas festas populares do mundo.

As oferendas e a questão ambiental

Segundo dados do Projeto TAMAR, são jogados nos mares e oceanos cerca de 6.4 milhões de toneladas de lixo por ano.

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Atualmente, milhares e milhares de resíduos de lixo plástico estão flutuando nos oceanos, servindo como alimento mortal para os animais. Além de todas as consequências geradas por esses detritos à vida marinha, vale ressaltar que a poluição das praias também afeta a seres humanos, pois, aumentam o risco de doenças para os seus frequentadores e tornam-se improprias para o banho.

Durante a festa de Iemanjá, os presentes oferecidos à Orixá, convertem-se em um grave problema ambiental. Quem passa pela região no dia seguinte aos festejos, se assusta com a quantidade de lixo acumulado à beira-mar. Entre as oferendas se encontram um grande número de quinquilharias tais como vidros de perfume, espelhos, maquiagem e outros itens destinados a satisfazer a vaidade da Mãe d´água. Estes detritos são poluentes e agentes de incontáveis desordens ambientais, já que o que não fica no mar é despojado sobre as areias, formando um grande lixão nas praias do entorno e comprometendo seriamente a qualidade da vida marinha.

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A grande polêmica centra-se em conseguir manter a tradição sem agredir o meio ambiente. A solução encontrada há alguns anos foi assumida especialmente pelos pescadores locais, no qual deve ser evitado como oferenda todo plástico ou material não biodegradável ou não-poluente. No ano de 2016 foi criada a campanha "Presente do bem", onde os membros da Colônia de Pescadores do Rio Vermelho passa a estimular a doação de presentes ecologicamente sustentáveis.

Mãe Stella de Oxóssi, a ialorixá do Ilê Axé Opô Afonjá e um dos maiores ícones da expressão religiosa afro brasileira, endossa a importância do cuidado com a natureza, passando a orientar os fiéis do candomblé a oferecer a Iemanjá apenas singelos cânticos, privando o mar da difícil tarefa de depurar os detritos gerados durante os ritos.

Outras campanhas de conscientização também vêm sendo realizadas pelo governo e comunidade local para que somente presentes ecológicos sejam lançados ao mar, evitando a poluição sem ferir a tradição.

Espera-se que em #2017 a redução seja ainda mais significativa, levando-se em conta a necessária manutenção e a preservação da fauna e da flora marinha. #Sustentabilidade