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Ocasionalmente, o aguapé (Eichhornia crassipes) é considerado uma espécie-praga, principalmente quando se alastra sem controle, tomando a superfície de reservatórios, lagos e rios. Em geral, a espécie prolifera de maneira exagerada em águas excessivamente ricas em matéria orgânica. Logo, reflete a situação do Rio Poti que vem piorando desde 2015. Neste ano, a Semar (Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos) investiu R$ 60 mil na retirada dos aguapés.

No entanto apenas a retirada destas plantas não resolve o problema, pois a contaminação do rio continua independente do período do ano, como pode ser observada nas bocas de lobo localizadas no leito do rio.

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A situação piora nos período de seca, quando ocorre a diminuição do volume de água do rio e aumento da concentração de matéria orgânica, ambiente perfeito para a proliferação do aguapé.

Uma planta de aguapé pode se duplicar em duas semanas em um corpo d’água rico em matéria orgânica. O que está ocorrendo é um processo eutrofização, um processo de “sufocamento” de um corpo d’água relacionado à poluição orgânica, que tem como ponto negativo o impedimento da penetração dos raios solares. Há então, uma redução drástica da quantidade de oxigênio dissolvido (anoxia), tendo como consequência a mortandade de microrganismos, invertebrados aquáticos e peixes.

O atual superintendente da Semar, Romildo Mafra, afirma que existe a proposta de criação da Barragem de Castelo, que seria executada pelo governo do Estado do Piauí, através do Instituto de Desenvolvimento do Piauí (Idepi) e que esta seria a melhor opção.

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A proposta gerou uma série de discordâncias por parte de ambientalistas, professores universitários e especialistas da região. Segundo eles, isso apenas ira maquiar a real situação do rio, não resolvendo o seu real problema.

Temeroso com a situação dos rios Poti e Parnaíba, o #MPF-PI pediu uma audiência com a Semam

Temeroso com a situação dos rios Poti e Parnaíba, o Ministério Público Federal no Piauí (MPF-PI) pediu à Justiça uma audiência com a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semam), Empresa Água e Esgotos do Piauí S/A (Agespisa) e Empresa Águas de Teresina (Aegea) para tratar sobre o assunto. O requerimento foi feito pelo procurador da República Kelston Lages junto à 2ª Vara Federal.

O MPF cobrou o cumprimento do acordo firmado dentro do processo nº 2003.40.00.001796-1, que trata sobre a preservação dos rios Poti e Parnaíba, com a retirada dos aguapés (anualmente), até que a solução definitiva seja implementada com a cobertura integral da rede de esgoto de Teresina, hoje com apenas 18%.

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O aguapé também tem a reputação de faxineiro das águas, capaz de remover poluentes orgânicos. Podem ser utilizados no tratamento de águas contaminadas por detergentes, fenóis ou metais pesados (chumbo, cádmio, cromo). Outros estudos demonstraram o potencial do aguapé para limpar efluentes de laticínios, abatedouros de aves e indústria de couro.

Para salvar o Rio Poti é importante manter um controle da matéria orgânica lançada no rio. Isso diminuirá naturalmente o crescimento aguapés sem a necessidade de remoção deles. Esta cobertura vegetal que não pode ultrapassar 30% da cobertura da lâmina d’água, pois, a partir daí inicia, causa a asfixia do rio. #água