O ano é 2015, mas a prática remete a tempos milenares. A polícia civil de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, descobriu na semana passada uma casa de tortura mantida pelo grupo de traficantes Bala na Cara, na Vila dos Sargentos, no Bairro Serraria, localizado na Zona Sul da cidade. A investigação do sumiço do taxista Luciano da Silva Jaime, de 42 anos, levou os agentes a descobrirem essa residência que, segundo eles, apresenta "cenas de horror".

As informações obtidas pela Brigada Militar dão conta de que traficantes levaram Luciano, taxista há mais de 20 anos, para esse local. Há dez dias, um outro taxista foi sequestrado e levado para o mesmo endereço.

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A polícia trabalha com a possibilidade de que o mesmo grupo foi responsável pelas capturas.

"Nós temos algumas informações de que Luciano possa ter sido levado para esse local e torturado, de forma semelhante com o que ocorreu com o seu outro colega, que acabou sendo libertado pela Brigada", informa a delegada Jeiselaure Souza da 5° Divisão de Homicídios (DHPP).

O "colega" citado pela delegada passou horas de pavor no final de abril. Enganado por duas passageiras vinculadas ao grupo de traficantes, ele fez uma corrida com elas até a rua que abriga a casa de tortura. Ao chegar nela, bandidos armados o fizeram descer do carro e levaram para o interior da residência, onde foi queimado com isqueiro, estrangulado, ameaçado com armas e obrigado a comer fezes. No caso deste taxista de identidade não revelada, a polícia conseguiu agir rápido e resgatá-lo horas depois do sequestro.

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Segundo a delegada, todos os cômodos da casa apresentavam manchas de sangue. Além disso, diversos objetos indicavam a realização de sessões de tortura, tais como uma mesa com pedra ensanguentada, um fio desencapado ao lado de uma manga e até uma forca. A maioria desses materiais foi coletada por agentes da polícia militar. Agora os peritos compararão tudo com o DNA de Luciano e de outras pessoas sumidas naquela zona da cidade.

Essa descoberta da polícia de Porto Alegre pode abalar uma das maiores estruturas do tráfico do Estado. A facção que tomou controle da região que abriga a residência criou uma fama perversa por eliminar os seus rivais nas drogas, esquartejar os corpos e jogar os restos mortais no rio Guaíba, que fica localizado próximo ao pátio dos fundos da casa. #Terrorismo #Crime