Foi deflagrada nesta quarta-feira (13) a oitava fase da operação 'Leite Compensado', do Ministério Público do Rio Grande do Sul. A investigação já se estende por dois anos, e foi responsável por descobrir e denunciar adições de água e substâncias químicas no leite.

Nesta etapa da investigação, foram cumpridos seis mandatos de prisão preventiva, três medidas cautelares e oito mandatos de busca e apreensão contra uma transportadora e uma cooperativa de produção na região norte do estado. A medida contou com apoio de agentes da Brigada Militar, Receita Estadual e do Ministério da Agricultura e Pecuária.

Laudos técnicos avaliaram amostras do leite da cooperativa, detectando a fraude.

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Foram observados aumentos na densidade e acidez do produto, constatando-se a adição de água, amido de milho, sal, açúcar e, inclusive, soda cáustica.

O Ministério Público divulgou como sendo responsáveis pelo #Crime os donos da transportadora, Odair e Delair Melati, e o presidente da cooperativa Coopasul, Ariel Nazaretti, os três motoristas da empresa, o responsável pelo laboratório e o contador da cooperativa.

Os donos da transportadora eram os responsáveis por fraudar as cargas entregues pela cooperativa, misturando os produtos ao leite, para dar mais volume, tornando a carga até três vezes maior. Para encobrir o crime, o contador ajustava o imposto de renda, tornando mais difícil a descoberta do esquema.

A transportadora também deixava de lado a preocupação com o consumidor ao negligenciar prazos de coleta em produtores locais.

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Em termos corretos, as transportadoras devem coletar o alimento dos produtores em até 48 horas, mas os investigados ampliavam este prazo para até quatro dias. Segundo o promotor Mauro Rockemback, este prazo fazia com que o leite azedasse, tornando-se totalmente impróprio para consumo. A transportadora ainda fazia a mistura do leite azedo com o fresco, para que o primeiro não fosse descartado, colocando em risco a saúde de milhares de consumidores.



O promotor também afirma que este era o leite enviado para as distribuidoras Piracanjuba, Itangará Foods e Aurora, sendo impossível saber até onde se estendeu a rede criminosa. Embora a soda cáustica seja danosa à saúde, desta vez não foram encontrados produtos cancerígenos no alimento, o que torna um pouco menos grave as consequências do consumo.