Durante o velório de um jovem, no último domingo (3), que era investigado por prática de homicídio em João Pessoa, capital da Paraíba, um acerto de contas inusitado aconteceu. Um homem chegou por volta das 4 horas da manhã na sala em que o corpo estava sendo velado, em capelas públicas, pediu para os familiares se afastarem do caixão e desferiu dois tiros no falecido, saindo do local a seguir. A polícia, até a divulgação do fato pela imprensa, ainda não tinha localizado o atirador.

Caso seja encontrado, pouco resta para acusá-lo, pois ele cometeu o que se conhece no Direito como um "crime impossível". É como se alguém confessasse ter matado Santos Dumont.

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Mesmo procurando a polícia e confessando o fato, se sabe que é impossível matar alguém que já está morto. O "crime impossível" é um elemento do Direito que, muitas vezes, pela estrutura que impede completamente a realização do crime, assegura ao acusado ter em sua defesa a alegação de que, a priori, jamais o crime poderia ser praticado.

O fato de alguém atirar contra um morto, que está sendo velado, seria engraçado se não fosse triste. Os "acertos de contas" no Brasil acontecem na rua, na casa das vítimas, em frente aos familiares, em igrejas, shoppings, em qualquer lugar. Como se vê, ninguém está a salvo, nem depois de morto.

No início dessas guerras entre quadrilhas, partindo do princípio de que os envolvidos eram todos criminosos, houve um relaxamento das ações policiais na investigação dos autores dos assassinatos, priorizando os casos de homicídio praticados em assaltos ou entre pessoas fora do crime organizado, gerando a sensação de impunidade, o que só fez crescer este tipo de ação, numa escalada de assassinatos indiscriminados.

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Esta escalada só fez facilitar o armamento das quadrilhas grandes e pequenas.

A ideia de que se um criminoso mata outro é um bem para a sociedade e não precisa ser investigado é errada, pois além de uma vida ter sido ceifada, na maioria das vezes a impunidade permite que esta prática aumente a confiança dos marginais e que a vida de todos, criminosos ou não, sejam banalizadas. #Legislação #Ataque #Violência