De acordo com pesquisa realizada e divulgada recentemente pelo jornal Folha de São Paulo, apenas 18% dos negros no Brasil ocupam cargos de destaque. Cerca de mil e duzentos profissionais foram entrevistados em diversos setores, como: política, universidade, artes, dentre outros. Aproximadamente 60% da população brasileira é negra, no entanto, a elite econômica do país ainda é majoritariamente branca, fato que pode ser evidenciado com o levantamento feito pela Folha.

Para o empresário Geraldo Rufino, negro, 56 anos, essa é uma questão que extrapola os limites das diferenças raciais. "Em minha opinião, o problema não é a cor, mas a questão econômica.

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Não envolve apenas negros, mas brancos também. Não acho que esse dado está relacionado diretamente à cor da pele, mas a ser rico ou pobre, em ter ou não acesso a recursos, cultura e educação. No meu caso, por exemplo, tenho família de negros e todos são bem-sucedidos", afirma.

"Acredito que, especificamente, em relação a essa porcentagem de 18%, é formada por pessoas que saíram do paradigma da inferioridade, encararam de forma comum e conseguiram um espaço que pode estar disponível para todos. Esse número poderia ser outro se a maioria dos negros pensasse diferente e deixasse de se preocupar apenas com a cor da pele. São consequências negativas porque sempre que se cultua a questão das diferentes cores de pele, vai se gerando cada vez mais intolerância na sociedade, criando ideologias e piorando assim esse cenário racista.", conclui o empresário.

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Mudança de Mentalidade

Ainda segundo o empresário Geraldo Rufino, é preciso haver uma mudança de mentalidade no país com relação às questões voltadas para a cor da pele. "É preciso mudar o jeito de pensar tanto de brancos quanto de negros, já que, muitas vezes, o preconceito vem do próprio negro. Muitos acham que ser negro é um problema, quando na realidade isso é algo que colocaram na cabeça das pessoas. E as pessoas passaram a pensar desta forma e ficam alimentando isso. Isso é passado", diz.

"No meu modo de ver não adianta criar normas, leis e punições contra o racismo. Há uma necessidade maior de se mudar a forma de se pensar das pessoas, de parar de diferenciar e destacar essa questão da diferença da cor de pele. Eu, particularmente, nunca tive esse problema de ser branco ou negro, nunca comprei essa ideia de racismo, de enxergar diferenças na cor de pele. Precisa parar de ficar cultuando essa história de diferença racial. Essa história de diferença está na cabeça de cada um", critica Rufino.

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Negros na Política

A pesquisa identificou também o baixo número de negros na política, sobretudo, dentre deputados, senadores e ministros. Cerca de 80% dos deputados eleitos na última eleição se declaram brancos. Setores do Movimento Negro no Brasil defendem a ideia de mais negros na política como forma de combater o racismo. "Acredito que isso seja relativo. Veja o exemplo dos Estados Unidos. Você tem um presidente negro no comando da maior potência do mundo e nem por isso o racismo deixou de existir por lá. O negro precisa se destacar por um ser humano que vai buscar e brigar pelas oportunidades, como qualquer outro", afirma Geraldo Rufino.

"O foco precisa deixar de ser o fator racismo. A desigualdade é econômica e não a cor da pele. Você precisa buscar espaço na sociedade tendo instrução ou recursos. As pessoas precisam parar de acreditar que o problema está na cor. O problema está na educação e na economia. Ser negro não é um problema. É um privilégio. Acredito que apenas através da educação e da cultura as pessoas conseguirão ter melhores recursos e passarão a pensar que a cor da pele passa a ser relativa, que não faz diferença. Não é a cor da pele, mas quem você é", garante. #Trabalho