Presidente da maior empreiteira do Brasil e indiciado na última segunda-feira, dia 20, por suposto envolvimento no escândalo de corrupção investigado pela Operação #Lava Jato, Marcelo Bahia Odebrecht, da Odebrecht S.A., é acusado pela Polícia Federal de tentar obstruir o trabalho de investigações contra sua empresa.

Em relatório de indiciamento apresentado ontem, a PF revela ter apreendido um celular de Marcelo com anotações em siglas que denotam seu esforço em dificultar o trabalho policial. Segundo o documento, o executivo tentou criar “cortinas de fumaça” contra as investigações.

Para a PF, Odebrecht utilizou seu celular para traçar os planos que planejava usar para defender a empresa, citando em seus registros possíveis contribuições e contatos políticos.

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Nas anotações, há siglas que a FP acredita serem usadas para se referir a políticos como o governador de São Paulo Geraldo Alckmin (“GA”), o vice-presidente da República Michel Temer (“MT”), o ex-ministro Guido Mantega (“GT”) e o presidente da Câmarada dos Deputados, Eduardo Cunha (ECunha), entre outros. Há também siglas não reveladas pela PF, como “JS” e “FP”.

Para o delegado Eduardo Mauat da Silva, o caso de maior gravidade foi a suposta “utilização de dissidentes” da PF para burlar a Operação. A ação seria parte de um “plano B” descrito por Marcelo em seu celular e que envolveria a utilização de grampos em cela, a descoberta de escutas secretas da Polícia e a criação de estratégias de defesa contra o trabalho investigativo.

Tentativa de “anular” Lava Jato e preocupação com comissões internas da Petrobrás

Segundo o relatório, as anotações no celular do executivo apontavam para a tentativa de “anular” a Operação Lava Jato e os envolvimentos de sua empresa no escândalo da Petrobrás.

"Dentre  tais  ações  estão 'parar  apuração  interna',  'expor  grandes', 'desbloqueio OOG' (Odebrecht Óleo e Gás), 'blindar Tau' e 'trabalhar para para/anular (dissidentes PF...)'", diz o documento policial.

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No mesmo documento, a PF alerta para o receio de Marcelo Odebrecht em relação às CIAs (Comissão Interna de Apuração) realizadas pela petroleira para investigar o esquema de corrupção operado na empresa.

"Chama a atenção também a preocupação de Marcelo em relação as Cias da #Petrobras estarem sendo conduzidas por 'xiitas' e, nas palavras dele, com seguinte linha de pensamento: temos que encontrar 'culpado' caso contrário vamos ser acusados de 'incompetentes e/ou coniventes”, diz outro trecho do relatório.

Suposto envolvimento de membros da OAB na estratégia de defesa

Outro ponto polêmico do relatório de indiciamento da PF fala sobre a possível utilização de membros da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) na estratégia montada por Marcelo Odebrecht para dificultar o prosseguimento da Lava Jato. Segundo o delegado Silva, o empreiteiro teria integrado à entidade em seus planos para evitar a prosseguimento das investigações.

Diz o documento: “A própria OAB faria parte da estratégia de Marcelo Odebrecht, sendo certo que nunca se observou uma atuação tão agressiva da respeitável entidade como durante a fase 14 (Operação Erga Omnes), malgrado até o presente momento não tenha havido qualquer evidência concreta de ofensa a prerrogativas de advogados no exercício dessa atividade”.

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