Novas informações apresentadas pelo relatório da Polícia Federal sobre o indiciamento do empresário Marcelo Odebrecht revelam como o mesmo utilizava siglas e mensagens codificadas em conversas pelo seu celular. O aparelho foi apreendido e avaliado após quebra de sigilo telefônico conseguido pela Operação #Lava Jato, em sua 14ª etapa.

Na avaliação da lista telefônica do celular do empreiteiro, considerado o maior do Brasil, foram encontrados nomes de diversos políticos do país, tanto aliados do governo, como também representantes da oposição.

Segundo o relatório da PF, Marcelo utilizava tais siglas e códigos para citar alguns políticos e executar as transações fraudulentas.

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Dentre as siglas utilizadas para se referir a políticos, pode se destacar: MT para o vice-presidente da República Michel Temer (PMDB), GA para o governador de São Paulo Geraldo Alkmin (PSDB) e ECunha, alusão clara e direita a Eduardo Cunha (PMDB-RJ), deputado federal e atual presidente da Câmara.

Além disso, outras siglas também foram apresentadas, porém, a Polícia Federal optou por não revelar os nomes a que elas se referiam para não atrapalhar as investigações. As siglas são: JS e FP.

Referência ao ex-presidente Lula

Outro fato que chamou a atenção dos investigadores foi à referência ao ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sem o uso de siglas, como o fez quando citou outros políticos. Foi evidenciado também pela investigação, o uso de apelidos por parte de Marcelo Odebrecht quando se referiu a outros nomes, como: Dida, se referindo ao presidente da Petrobrás Aldemir Bendine, e Beto, quando se referia ao secretário nacional de Justiça Alberto Ferreira Martins.

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Encontro com políticos

O relatório de 31 páginas redigido e apresentado pela 14ª etapa da Operação Lava Jato nesta terça-feira, 21, comprova que o empreiteiro Marcelo Odebrecht se encontrou com políticos por duas vezes. As informações também foram obtidas das analises do celular apreendido na casa do empresário detido. Os encontros foram realizados com Geraldo Alckmin, em outubro do ano passado, e com Michel Temer, em novembro do mesmo ano.

Os encontros ocorreram logo após as primeiras prisões feitas pela PF de executivos ligados as empreiteiras investigadas pela Lava Jato em 2014 no caso do "Petrolão". No entanto, o relatório não apresentou os detalhes das conversas realizadas em ambos os encontros, mais uma vez, alegando sigilo para não comprometer o andamento das investigações da Operação, que segue agora para a sua 15ª etapa. #Corrupção