Em oito anos, entre abril de 2007 e abril de 2015, o BNDES liberou US$ 12,02 bilhões (US$ 12.024.602.568), o equivalente na taxa de câmbio atual a algo em torno de R$ 40 bilhões, em 542 operações de financiamento para exportação de bens e serviços de engenharia para onze países da África, América do Sul e Central, que beneficiaram as maiores empreiteiras brasileiras hoje envolvidas na operação Lava Jato, especialmente as construtoras Norberto Odebrecht e Andrade Gutierrez.

Com prazos de pagamento que variam de dez a 25 anos e juros muito abaixo das taxas praticadas pelo mercado, entre 0,2% a 0,7% ao mês, grande parte do bolo de doze bilhões de dólares ficou com as duas empreiteiras, que juntas amealharam cerca de 85% do total dos empréstimos concedidos pelo banco.

Publicidade
Publicidade

Só a Odebrecht foi favorecida nas operações de crédito com algo em torno de 62,5% dos recursos, totalizando US$ 7,5 bilhões, enquanto a Andrade Gutierrez se beneficiou com a liberação U$ 2,6 bilhões, cerca de 21,8% do total.

Tais dados podem reforçar esta semana a pauta de votação para a criação, pelo Congresso Nacional, da CPI do BNDES, que pretende investigar o que há por trás das operações de crédito liberadas pelo banco para empreiteiras brasileiras em obras no exterior.

Os países beneficiados pelo apoio financeiro do BNDES foram Angola, Venezuela, República Dominicana, Argentina, Cuba, Moçambique, Guatemala, Equador, Gana, Honduras e Costa Rica.

As últimas operações de empréstimos  liberadas pelo banco, cinco no total em 2015 até o mês de abril - quando os empréstimos cessaram - somam US$ 662 milhões.

Publicidade

Em favor da Odebrecht para Argentina e República Dominicana.

Dilma mantém sigilo de dados

Há vários anos o #Governo federal mantém sigilo nas operações de financiamento externo do BNDES. Este ocultamento foi ratificado recentemente pela presidente Dilma Rousseff ao vetar dispositivo de lei aprovada pelo Congresso, em maio passado, que liberava tais dados para consulta pública.

Apesar disso, muitos dos dados podem ser acessados através de pesquisa mais atenta no próprio site do BNDES, em link que leva a uma planilha de cálculos pormenorizada.

Pelos dados da planilha, Angola foi o país mais favorecido pelos financiamentos do banco, para onde foram liberados cerca de US$ 3,5 bilhões em 95 operações, das quais U$ 2,6 bilhões (76% do total), contemplaram serviços e obras de engenharia da Odebrecht. A Queiroz Galvão ficou com US$ 322 milhões. A Andrade Gutierrez, US$ 267 milhões, enquanto a Camargo Correia ficou com US$ 213 milhões.

O segundo país mais beneficiado pelos empréstimos do BNDES foi a Venezuela, que obteve um total aproximado de US$ 2,25 bilhões, em quatro operações de crédito que favoreceram a Odebrecht (34%) e a Andrade Gutierrez (66%).

Publicidade

Na terceira colocação por volume de recursos alocados pelo BNDES ficou a República Dominicana. Para lá, o banco liberou 19 empréstimos, dos quais 15 beneficiaram a Odebrecht, três a Andrade Gutierrez e um a Queiroz Galvão, totalizando cerca de US$ 2,2 bilhões.

Juros mensal de 0,2%

Já a Argentina foi o quarto país mais favorecido pelos financiamentos do banco, com um volume de recursos da ordem de US$ 1,8 bilhão, em 423 operações de liberação de crédito, das quais US$ 1,6 bilhão para a execução de obras em favor da Odebrecht (85%).

Apesar da polêmica criada pela mídia por conta de obras realizadas em Cuba com recursos do BNDES, o país aparece na quinta colocação em volume de recursos. Foram sete operações, totalizando U$ 846,9 milhões, dos quais US$ 682 milhões se destinaram à construção do Porto de Mariel, para reembolso em 25 anos a juros de 0,39% mensais, ou 4,69% ao ano.

A menor taxa de juros foi destinada a operações de crédito envolvendo Angola, Gana e Argentina, em empréstimos que favoreceram Odebrecht, OAS e Andrade Gutierrez. Praticaram-se taxas de 2,8% ao ano, algo em torno de 0,2% ao mês, com prazos de pagamento de dez a 20 anos.

Ministério Público devassa contas secretas do HSBC na Suíça

Governo Dilma menospreza onda de protestos #Petrobras #Corrupção