Já são mais de oito horas na rua em serviço, e Jorge Alberto Rocha, 52 anos, fez apenas duas corridas durante todo esse tempo. O taxista, mineiro de nascimento, vive em Salvador desde os 15 anos. Desde os 21, exerce a atual profissão, herdada do pai. “Aprendi com meu velho, que aprendeu com o velho dele, meu avô. Ser taxista é tradição em minha família. Está no sangue”, garante.

Jorge faz parte de um grupo de taxistas na capital baiana que já teme pela chegada do Uber, aplicativo de smartphone no qual é possível oferecer transporte particular de passageiro por meio de veículo próprio. Nas quatro cidades brasileiras onde o serviço já vem sendo oferecido (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília), uma série de conflitos com os taxistas vem ocorrendo, além de manifestações e diversas paralisações durante o trânsito.

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Numa tentativa de se antecipar a chegada dessa forte concorrência, taxistas de nove capitais brasileiras (Salvador, Curitiba, Recife, Aracaju, Campo Grande, Goiânia, Manaus, Maceió e Vitória) já pressionam o poder público, sobretudo, os vereadores locais, para proibir ou regulamentar o Uber, antes mesmo dele começar a operar nessas capitais. O intuito dos taxistas é acabar com a concorrência considerada por eles como desleal, pelo fato de não haver cobrança tributária para aqueles que realizam transporte particular de passageiros utilizando o Uber, além de não precisarem se registrar nas prefeituras onde atuam.

“Isso é um absurdo! É uma falta de respeito com aqueles que pagam caro para poder trabalhar. Nada disso aqui é de graça. Tem taxista aqui que paga até mesmo o aluguel do carro para trabalhar.

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Outros ainda têm que dividir os lucros das corridas com empresas do ramo. Com essa crise que tá aí as corridas estão cada vez menores. E aí me vem um serviço que qualquer um pode virar taxista e sem pagar nada por isso? Assim você me ‘quebra’, como dizem aqui em Salvador”, reclama Jorge Alberto Rocha.

Outra visão

Para Ailton da Costa Santana, 39 anos, 13 deles como taxista, o Uber é sim uma forte concorrência, mas não deve ser proibido. “Vivemos numa democracia e todo mundo têm o direito de trabalhar e conseguir seu dinheiro. E com essa crise que está aí, então, é que o povo precisa encontrar algum jeito de ganhar dinheiro mesmo. Não quero ser contra os meus colegas taxistas, mas sou contra a proibição. Acho meio radical. Nessa vida tudo se conversa. Tudo se ajeita. Ao invés de cobrarem taxas para o Uber a gente devia era aproveitar o momento para cobrar a retirada das taxas para a gente. Assim, com todo mundo trabalhando sem precisar pagar tributo, fica tudo parelho”, sugere o taxista.

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Ação dos vereadores

Em algumas destas capitais onde os taxistas já tentam se proteger da chegada do Uber, vereadores já se articulam para atender ao pedido destes profissionais. No entanto, há também o apoio da maioria da população destas cidades ao novo serviço, criticando a postura radical dos taxistas. Sem querer desagradar nem a um e nem a outro, os vereadores de cada cidade estudam propostas para, ao invés de proibir, regulamentar o Uber, sem que aja um desfavorecimento ao serviço já realizado durante décadas pelos taxistas. #Negócios #Trabalho #Governo