Após a divulgação do alto número de suicídio cometido por policiais, feita por várias pesquisas apresentadas durante o 9º Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, realizado no Rio de Janeiro, o site Blasting News Brasil procurou a especialista Cláudia Basso para tratar sobre o assunto.

Cláudia é psicóloga e trabalha dentro de um Batalhão da Polícia Militar em Curitiba, além de integrar uma comissão de psicologia clínica do Conselho Regional de Psicologia do Paraná.

Confira a breve #entrevista abaixo:

Blasting News Brasil - Estudos acadêmicos trouxeram à tona o suicídio de policiais, tema descartado na maioria das estatísticas sobre violência.

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Quais são os fatores que podem ser apontados como causa para essa evidência?

Cláudia Basso - É importante salientar que atualmente nos grandes centros urbanos o número de suicídio vem crescendo tanto na população civil quanto aos agentes de segurança pública. Este crescimento é por diversos fatores e sendo especifico ao Policial Militar, observa-se a total dedicação ao cumprimento de seus deveres e isso reflete em passar muito mais tempo no ambiente profissional do que propriamente familiar. Há questões como escalas de horários intensas. É preciso salientar que aqui no Paraná estudos apontam que as principais psicologias presentes são: Estresse agudo, depressão e ansiedade e são casadas principalmente por dificuldade de resolução de problemas familiares, pessoais e financeiros.

BNBR – Quais são as consequências negativas que essa evidência traz para a sociedade?

CB - Um policial Militar que não tenha apoio psicológico ou não consiga dar conta de seus próprios conflitos internos, ficará mais irritadiço, estressado ou mais fechado, acuado e emocionalmente fragilizado.

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Qualquer dessas circunstâncias pode afetar diretamente sua função dentro do trabalho.

BNBR - O Guia de Prevenção de Suicídio da Polícia Militar do Rio de Janeiro será lançado em breve com sugestões sobre como abordar o problema. Qual a sua visão sobre esse Guia e como ele poderá ajudar a solucionar esse problema?

CB - Concordo plenamente que se tenha um programa de prevenção para os policiais militares. Um guia de prevenção ao Suicídio seria um primeiro passo importante para valorizar o problema existente que muito pouco se explora essa questão. Na Polícia Militar do Paraná temos feito palestras de prevenção ao suicídio para todos os policiais trazendo à tona a discussão sobre o tema.

BNBR – Em um dos trabalhos apresentados no Encontro, foi constatado que as tentativas de suicídio são mais frequentes entre policiais que se aposentam. Como explicar?

CB - A mesma importância que se dá à inclusão do policial militar ao seu exercício dentro da instituição, também cabe a fase de sua saída para aposentadoria.

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É imprescindível seu preparo para saída, visto que questões como fardamento, arma de fogo e a sua própria ambição em ajudar a sociedade, são questões que os deixaram por anos com sentimento de segurança. Um exemplo é o trabalho realizado na PMPR, pelo Serviço de Ação Social PMPR, onde há um projeto de preparação antes da aposentadoria. Os resultados são efetivos, pois os policiais saem com um planejamento de vida e um novo olhar para seu futuro, desfazendo-se do ambiente e vínculo militar. Sem esse acompanhamento, o policial fica a mercê de suas expectativas, as quais podem não ser vívidas em sua aposentadoria, gerando assim conflitos internos e patológicos, desenvolvendo ou não um cunho a uma ideação suicida.

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