Um dos assuntos que mais preocuparam e assustaram a população de São Paulo em 2014 foi a ameaça real de um colapso no sistema de abastecimento de água. Desde então, apesar de reconhecer a necessidade de economia, o #Governo estadual ainda não havia admitido oficialmente a existência de uma #Crise, fato que só ocorreu agora, em agosto de 2015, por meio de uma portaria publicada no Diário Oficial. A demora em reconhecer o que para muitos já era óbvio, veio, entre outras razões, por conta das dificuldades climáticas em julho e agosto deste ano. Nesses meses, o índice de chuvas foi abaixo do esperado, fazendo com que houvesse uma redução no volume da bacia do Alto Tietê, onde se localizam cinco dos seis sistemas que abastecem a cidade de São Paulo.

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Para se ter uma ideia da atual situação, o sistema Cantareira, que é responsável pelo fornecimento de água para cerca de 8,1 milhões de pessoas, se encontra com 13,1% de sua capacidade. Segundo o professor do Instituto de Física da Unesp (Universidade Estadual Paulista), Roberto Kraenkel, um dos responsáveis pelo projeto de monitoramento Águas Futuras: “Hoje o nível do sistema Cantareira é mais baixo do que na mesma época do ano passado. Desde julho estamos também observando uma queda mais acentuada na quantidade de água que entra no sistema, que atualmente se equipara com a situação do ano passado”.

Segundo ele, a situação só não está pior por conta da redução no volume de água retirada do sistema, um reflexo das medidas de economia tomadas desde o ano passado pelo Estado, entre elas as decisões conjuntas entre ANA (Agência Nacional de Águas) e DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo) de estabelecer limites de vazão para retirada de água.

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“Surtiram efeito, pois evitaram o colapso completo do sistema. Mas estas decisões foram tomadas muito tarde. Se tivesse ocorrido uma diminuição da retirada de água mais cedo, poderíamos estar em situação muito melhor”, afirma.

Causas do problema

Para o engenheiro em Sistemas Urbanos e Ambientais, Ludovic Freire Gomes, até o momento houve preocupação apenas com as consequências, sem efetivas medidas voltadas às reais causas do problema, que, de acordo com ele, “são múltiplas e interligadas. Isso torna difícil identificar um responsável específico e um tratamento lógico desta crise, que inclui vários atores públicos, privados e econômicos”.

Nesse contexto, Gomes julga pertinente levar em conta, entre outras causas, o aumento populacional da Região Metropolitana de São Paulo nas últimas décadas, que passou de 15 milhões em 1991 para mais de 20 milhões atualmente. “Esse crescimento demográfico, combinado a um desenvolvimento rápido da metrópole devido à boa saúde da economia brasileira, acabou ficando anárquico pela falta de planejamento anterior”, diz.

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Para ele, quando se atribui a crise hídrica à questão climática, fica impossível não relacioná-la aos “desmatamento e ao aumento de emissões de gazes com efeito de estufa. Isso deixou São Paulo com estações menos bem definidas, verão ficando mais seco e inverno mais quente”. Seria essa a razão para a seca que, desde o ano passado, tem sido apontada como principal fator para a crise hídrica atual. #Geraldo Alckmin