Em resposta à grande recorrência de casos de abuso sexual contra as passageiras nos trens e Metrô, foi criada a iniciativa do "vagão rosa" que, em linhas gerais, trata-se de um vagão no qual viajam apenas mulheres. Tal medida, que é praticada desde 2006 no Rio de Janeiro e em 2014 foi vetada pelo governador de São Paulo após aprovação na Assembleia do Estado, divide as opiniões de feministas.

 “O vagão exclusivo para mulheres, em horário de pico, proporcional à população feminina que usa o transporte público é uma das reivindicações do Movimento Mulheres em Luta. Achamos essa uma resposta imediata para as mulheres que sofrem verdadeiros traumas e são impossibilitadas de ir e vir do trabalho sem que isso signifique um sofrimento ou uma tensão”, afirma Marcela Azevedo, da Executiva Nacional do Movimento Mulheres em Luta.

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Quem também se mostra favorável à proposta, ao menos como uma primeira medida para reduzir os abusos, é Jurema Cintra, vice-presidente da OAB de Itabuna, para quem a ideia é interessante, sendo viável enquanto não há uma postura mais enérgica das companhias de transporte público.  

Já Rosana Chiavassa, advogada e presidente da ASAS – Associação das Advogadas, Estagiárias e Acadêmicas do Direito do Estado de São Paulo, não é a favor. “O 'vagão rosa' só exclui ou empurra para debaixo do tapete a sujeira. Obrigar mulheres a ficar confinadas como gado, para não correr risco de agressão é uma outra violência. Ademais, teríamos que ter 58% dos 'vagões rosa'. E a mãe com filho? E a esposa com marido? Não podemos anuir com essas posturas. Queremos respeito”, afirma. #Opinião