Dos 224 policiais militares lotados na cidade do Rio de Janeiro, pelo menos 50 deles afirmaram já ter pensado em cometer suicídio em determinados momentos da vida. A informação foi divulgada por uma das inúmeras pesquisas sobre o tema, apresentada durante o 9º Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, realizado na semana passada no Rio.

A rotina diária de perigo dos policiais foi aprofundada nos estudos, além das complexas relações sociais destes profissionais fora da corporação.

A pesquisa citada acima foi realizada por pesquisadores da UERJ, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, e, ainda segundo a mesma, 10% dos PMs cariocas já tentaram acabar com a própria vida.

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Os policiais entrevistados participaram de forma voluntária da pesquisa e tiveram suas identificações preservadas pelos acadêmicos. O tema ainda é um tabu na sociedade e vem constantemente sendo descartado pelas estatísticas de violência feitas em todo o Brasil.

Para Robert Muggah, diretor do Instituto Igarapé, especializado em segurança pública, é preciso rever a atual situação crítica de trabalho dos policiais. “A polícia brasileira está trabalhando em condições extremas que, em algumas das principais cidades, está próximo do conflito armado. Muitos oficiais estão sofrendo de síndrome de estresse pós-traumático (PTSD) e têm pensado em suicídio em algum momento. Um estudo recente da UFERJ descobriu que 7% têm considerado a hipótese do suicídio. Outros estudos mostram que as taxas de suicídio entre os policiais são mais de sete vezes a prevalência na população em geral”.

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“Os oficiais de polícia estão sob uma quantidade fantástica de estresse. São desproporcionalmente altas taxas de depressão, comportamentos de risco, grande consumo de álcool e tabagismo. Cerca de um quinto da Polícia Civil apresentam altas taxas de sofrimento psíquico em comparação com um terço dos oficiais militares. Um estudo interno detectou distúrbios psíquicos em até 70% dos policiais das UPPs”, diz.

Consequências para a sociedade

Uma série de consequências negativas para a sociedade é derivada deste problema com os policias, como aponta Robert Muggah. “Em primeiro lugar, é possível que o estresse psicológico também reduza o limite para o uso da violência e autocontenção. No Brasil, militares e policiais civis são muitas vezes classificados como aqueles que provocam mais perigo. No ano passado, eles estavam envolvidos na morte de pelo menos 2.000 civis em assassinatos, incluindo mais de 582 no Rio de Janeiro. Esta violência tem efeitos extremamente corrosivos sobre as relações polícia-sociedade e aumenta a exposição do policial para o trauma”.

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“Em segundo lugar, a doença mental e a angústia também pode aumentar comportamentos de risco e expor oficiais a danos pessoais. Na verdade, o Brasil detém o recorde mundial de policiais mortos no cumprimento do dever. De acordo com dados de 2013, 490 policiais foram mortos - cerca de 1 oficial a cada 17 horas. Entre 2001 e 2014, cerca de 1.715 policiais foram mortos no Rio de Janeiro, uma taxa de 350 por 100.000. Isso faz do policiamento uma das profissões mais arriscadas no país. É possível que o policial seja menos inclinado a tomar medidas de proteção quando sofrem de distúrbios psicológicos”, afirma Muggah.

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