A população brasileira já anda assustada quando vai fazer um mercado. O aumento dos preços segue em uma constante no país e já obriga os brasileiros a economizarem para não fechar o mês no vermelho. É o que acontece com Maria de Lourdes, 45 anos, Dona de Casa, que teve que cortar diversos produtos da cesta básica para conseguir concluir as compras de agosto no mercadinho do bairro do Garcia em Salvador.

“Há um tempo atrás eu saía daqui do mercado com a cesta lotada de coisas. Agora, tenho que cortar um monte de alimento para poder passar no caixa. Tempero mesmo está um absurdo. Nem sei mais como é o gosto do tomate. De tão caro que está, tive que cortar da cesta.

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Agora, imagine colocar comida na mesa para quatro filhos numa situação dessa? Definitivamente, não dá”, afirma, indignada, a compradora.

Por que os preços sobem?

O professor de economia da IBE-FGV, João Mantoan, aparece no ranking da Fundação Getúlio Vargas, como um dos 10 melhores professores de Pós-graduação do país. Além disso, ele é um dos ganhadores do Prêmio de Excelência Acadêmica realizado em 2015, evento que premiou os professores e coordenadores que se destacaram no ano passado. Mantoan explica os motivos principais que geram o aumento dos preços com a inflação.

“Quando os consumidores aumentam o consumo de produtos e serviços, causando uma disputa entre si para conseguir comprar estes produtos e serviços, por sua vez, o produtor não consegue atender esta demanda, elevando assim os preços no mercado.

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Esta situação é conhecida como Inflação de Demanda”.

“Já quando a demanda permanece estável, mas os custos de produção de produtos e serviços se elevam em função de aumentos de salários, matérias primas, insumos, entre outros, obrigando o produtor a repassar estes aumentos aos preços dos produtos e serviços, neste caso, temos a Inflação de Custos”, afirma Mantoan.

Por que a inflação acelerou no Brasil?

O professor de economia João Mantoan também explica as causas da recente aceleração da inflação no país. “Atualmente no Brasil temos a previsão de que a inflação atinja 9,8% ao final de 2015. A causa básica desta situação é a Inflação de Custos, em consequência, dentre outros motivos, da elevação das tarifas de energia elétrica, combustíveis e elevação do preço do dólar frente ao real”, garante o professor.

“A equipe econômica dos governos Dilma cometeram alguns equívocos em relação à política econômica, mas o principal deles, em detrimento de uma decisão política foi o represamento de tarifas públicas.

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O #Governo manteve o preço dos combustíveis estabilizados e reduziu o preço da tarifa de energia elétrica para agradar seus eleitores (menos informados), mas se esqueceu de que esta situação não se sustentaria e a conta seria apresentada para a sociedade pagar - o que estamos vivenciando atualmente”.

“Por outro lado, temos um confronto político na base aliada do governo e dentro do próprio partido do governo. Os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado ameaçam o governo com a aprovação das ‘pautas bombas’, comprometendo as contas públicas de forma totalmente corporativas e irresponsáveis, gerando incertezas e insegurança no mercado. Este cenário é uma ameaça para todos os investidores, comprometendo a entrada de dólares no nosso país fazendo com que a cotação da moeda estrangeira se eleve frente ao real aumentando, assim, os custos de produção”, conclui Mantoan.

Segundo semestre

A pesar dos esforços do governo, a estimativa dos economistas é que o segundo semestre ainda seja de crise e aperto para a população brasileira. “Todas as previsões e indicadores apontam para uma possível recuperação da economia e redução da inflação em meados de 2016”, é o que afirma João Mantoan.

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