Geraldo José da Silva viveu em regime de escravidão desde que saiu de sua terra natal, a cidade de União dos Palmares, a procura de uma vida melhor para ajudar sua família. Por ser analfabeto, só lhe aparecia serviços braçais e pesados. Aprendeu cedo a lidar no corte da cana junto com seu pai. Ao fazer 18 anos, achou que indo em busca de trabalho em outras cidades sua vida se tornaria melhor, mas não foi do jeito que imaginou.

Ele se arriscou indo para uma usina de cana na cidade de Poconé, no Mato Grosso, com uma promessa de que teria um bom salário, casa e comida, mas não foi isso que ele encontrou. Quando lá chegou, já percebeu que o lugar era péssimo, sem nada do prometido.

Publicidade
Publicidade

A única promessa que se cumpriu foi a carteira assinada. No alojamento, com mais 17 pessoas, se chovesse ficava tudo molhado lá dentro. O salário era por produção, nada de fixo, mas mesmo assim ele aguentou por um tempo.

Geraldo ficou neste lugar por mais ou menos 4 anos. Vendo a situação, juntou algum dinheiro, pegou suas coisas e foi embora para outra usina de cana, essa em São José do Rio Claro, em Cuiabá. Mas, chegando lá, se deparou com as mesmas condições que já havia passado antes, mesmo assim, entre idas e vindas, ficou lá por mais de 14 anos.

Em 2011, havia uma investigação sobre trabalho escravo em fazendas de plantação de cana de açúcar. Um dia, Geraldo se deparou com alguns policiais naquele lugar pedindo para ver tudo, ele ficou sem entender nada, mas mostrou onde moravam, o que comiam e disse qual era o horário de trabalho.

Publicidade

Foi então que ouviu dos policiais que estava livre, pois isso era trabalho em regime de escravidão.

Nessa época Geraldo recebeu uma proposta de trabalho na capital do estado, ele logo aceitou, mas antes, teria que passar por um curso de pedreiro por seis meses. Ele aprendeu a ler e não deixou a oportunidade escapar de suas mãos. Depois do curso, Geraldo foi trabalhar na construção da Arena Pantanal, ficou lá por 2 nos. Ganhando o justo por seu trabalho, ele juntou seu dinheiro quando a obra terminou, voltou para sua cidade e abriu uma Lan House, de onde tira o seu sustento hoje, junto com sua mulher.

Leia também:

http://br.blastingnews.com/sao-paulo/2015/08/bandidos-levam-fortuna-em-assalto-a-carro-forte-em-mococa-00508477.html 

http://br.blastingnews.com/rio-de-janeiro/2015/08/traficante-arafat-e-o-sucessor-de-playboy-na-pedreira-00513311.html #Negócios #Curiosidades #Casos de polícia