O site BBC Brasil divulgou no início deste mês uma entrevista com a psicóloga norte-americana Pamela Rutledge, que esteve no país para um evento internacional, representando o Media Psychology Research Center, da Califórnia (Estados Unidos), do qual é diretora. Segundo Pamela, as pessoas que mais apresentam opiniões agressivas na #Internet são, na maioria das vezes, impotentes e frustradas.

A entrevista e as opiniões contundentes da especialista repercutiram bastante entre os internautas brasileiros. Por conta disso, o site #Blasting News Brasil procurou a psicóloga Luciana Kotaka para avaliar o caso.

“Vejo que o ambiente da internet de certa forma passa uma falsa segurança de que pode se falar o que quiser sem que com isso seja penalizado.

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Desta forma, essas pessoas que não estão felizes consigo mesma e com a vida entorno, acabam contaminando a quem estiver a sua frente, sem medir maiores consequências de seus atos. Acham que se o ambiente é seu, como no caso do facebook, podem falar o que pensam sem medir as palavras e o efeito delas”.

Ainda segundo Luciana Kotaka, é difícil afirmar se a opinião apresentada por uma pessoa na rede social, é, de fato, aquela que ela acredita realmente.

“Não há como afirmar, até porque muitas vezes as pessoas são tomadas pela emoção do momento ou até queremos colocar fogo em uma determinada publicação para agradar o grupo ou quem publicou. A impulsividade é sim provavelmente uns dos fatores que podem levar uma pessoa a se manifestar de forma mais rude e agressiva”.

Casos no Brasil

Cada vez mais casos de agressões na internet vêm ocorrendo no Brasil, seja com pessoas anônimas, ou mesmo, com pessoas famosas, como foi o caso da jornalista Maria Júlia Coutinho, conhecida como Maju, apresentadora da previsão do tempo no Jornal Nacional da Rede Globo.

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Após postar uma foto no Facebook, Maju foi atacada por pessoas, que expuseram opiniões racistas contra a jornalista.

Para a psicóloga Luciana Kotaka, é possível combater o ódio das pessoas nas redes sociais.

“Devemos nos abster de comentar algumas publicações em que percebemos o ódio de uma pessoa, não alimentar as situações de forma negativa e, se resolver colocar algo sobre o que pensa, mostrar o lado positivo que a situação apresentada pode revelar. Tem pessoas que fazem questão de fazer provocações para sentir prazer pela bagunça que causou”.

Multiplicidade de temas

Temas pouco antes discutidos em ambientes populares, como: política, diversidade sexual, machismo, homofobia, feminismo, racismo e corrupção, estão cada vez mais em foco nas redes sociais. O que pode parecer um avanço, muitas vezes expõe um retrocesso evidente.

“Há um aumento da intolerância de forma geral, uma dificuldade de se colocar no lugar do outro para que se compreenda o que a pessoa possa estar sentindo. As relações estão sendo muito afetadas pela falta de compreensão e aceitação das diferenças.

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Antes as atitudes eram mais contidas, por debaixo dos panos, só apareciam em um momento de lapso. Hoje as pessoas estão assumindo mais o lado sombra, sem medo de serem julgadas por exporem suas ideias, mesmo que essas atitudes gerem maiores conflitos”, afirma Luciana Kotaka. #Violência