O Brasil é o maior produtor de álcool etílico ou etanol, oriundo do processo de fermentação de açúcares e utilizada na composição de perfumes, bebidas alcoólicas e especialmente em motores de explosão de carros flex como combustível. O programa em si é útil ao meio ambiente, gera empregos e transações comerciais no que é chamado de cadeia sucroalcooleira. Por outro lado, fazendeiros produtores, centros de pesquisa e governo esperam uma das maiores produções de etanol brasileiro para esta temporada. No que isto implica, o por quê desta safra gigante, como isto afetará a população e a economia do país a curto, médio e longo prazo, são algumas das perguntas a serem considerados no artigo.  

De 2015 a 2016, o país sul-americano terá recordes na produção ativa de etanol atingindo aproximadamente 30 bilhões de litros.

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Porém, este feito positivo para a economia guarda uma armadilha bastante perigosa, pois a alta utilização por parte da população do biocombustível, certamente diminuirá os estoques internos para níveis bem baixos. E qual é o impacto de tudo isto? O aumento de preços conforme especialista do setor afirmou em São Paulo no dia 17/09 para os meios de comunicação em massa e grandes portais de notícias do país.

Na última quinta-feira, a consultoria Job Economia (http://www.jobeconomia.com.br), estudiosa das energias renováveis e agronegócios (açúcar e álcool) afirmou que a comercialização do etanol hidratado principalmente para os proprietários de veículos flex, cresce a 2 dígitos por ano, o que se trata de um novo recorde que faz frente a competitividade do consumo de gasolina até a presente data, ou seja, daí virá a alta nos preços.

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O diretor da consultoria, Julio Maria Borges ratifica o cenário quando diz que “será uma safra com mínimo estoque de passagem, e logo os preços serão agressivos durante o período de entressafra”.

O especialista realça que a possível ocorrência climática do El Nino, afetará a produção do biocombustível no centro-sul do país devido a maior precipitação nos Estados. Borges ainda explicou que o pagamento dos preços melhores pelo etanol do que em relação ao açúcar para exportar, “ajuda e muito com a alta do dólar os produtores da substância”.

Enfim, por dinheiro mais “fácil”, produz-se mais etanol em detrimento da oferta de açúcar. A safra brasileira da principal região produtora alcança 90% de toda a produção do país e por acaso, já ultrapassou mais da metade da operacionalização prevista ou 590 milhões de toneladas, o que por si só não impedirá a queda para 29,9 milhões de toneladas de açúcar diante dos 32,3 milhões da previsão inicial para 2015/2016 e aproximadamente 32 milhões em 2014/15 conforme estudos da consultoria.

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O etanol por sua vez tem projeção de produção de 27,7 bilhões de litros na maior área de concentração do produto no país, o que é 700 mil acima da meta inicial ou cerca de 1,6 bilhão de litros acima da safra de 2014/2015.

Que contraste! O aumento na produção do etanol não gerará a diminuição do preço do biocombustível conforme explicado anteriormente, antes, acabará dando o compasso de uma relação tão bem conhecida pela população, isto é, os produtores produzem mais cana-de-açúcar, priorizando o etanol; a demanda nacional pelo biocombustível também é muito maior e o governo entra como um coadjuvante sem muito sucesso na intermediação do preço ao consumidor final. Resumo de tudo isto: pode-se aguardar mais um item que terá o seu preço aumentado e quem pagará a conta é o povo brasileiro.  #Agricultura #Petrobras #Crise econômica