Uma porto não muito alegre. Assim pode ser redefinida a capital dos gaúchos depois de uma sequência de trágicos episódios que colocam cada vez mais a população entregue à própria sorte. Favelas, bairros de classe média e zonas nobres abrigam crimes que já não se concentram em um só local e demonstram o quanto a cidade se tornou perigosa.

Na quinta-feira (3), uma contestável ação da Brigada Militar desencadeou uma série de atos na Grande Vila Cruzeiro, na Zona Sul da cidade. Ao fazer uma ronda pelo bairro, soldados da BM abordaram e atiraram contra Ronaldo de Lima, de 18 anos. Segundo as autoridades, a vítima havia atirado contra os policiais – em versão negada por testemunhas, que garantem que o jovem já havia se rendido quando foi alvejado pelas costas.

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A morte de Ronaldo gerou a revolta de moradores da comunidade. Em resposta, homens encapuzados espalharam terror pelo bairro ao incendiarem dois ônibus e uma lotação. Após os ataques, as fumaças ganharam o céu de Porto Alegre e poderiam ser vistas mesmo longe do Morro Santa Tereza, palco da quinta-feira de terror.

Na sexta (4), assaltos em série surpreenderam os moradores do bairro Menino Deus, próximo ao centro da cidade. Por volta das 19h, dois homens armados invadiram um conhecido supermercado local e trancaram os presentes em um depósito. Fugiram com cerca de R$ 2 mil reais e não houve feridos. Na sequência, um posto de gasolina da região também foi saqueado juntamente com uma farmácia anexada ao estabelecimento.

Tiago Machowski, goleiro do Grêmio, sentiu na pele os efeitos de uma cidade violenta.

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Ao voltar do aeroporto com a delegação depois do jogo contra o Figueirense, na sexta-feira, ele teve todos os pertences roubados, inclusive o seu carro, ao se aproximar de sua residência. Pelo Facebook, postou uma mensagem lamentando o fato, mas garantindo que estava bem.

Para fechar de forma trágica o que era para ser um feriado de descanso e lazer para os gaúchos, dois outros crimes em zonas distintas da cidade chocaram a população. Na madrugada de domingo, criminosos invadiram a casa de Maria Vergulho, 60 anos, e dispararam diversos tiros contra ela. Na sequência, queimaram o corpo da vítima. O ato ocorreu na Lomba do Pinheiro, bairro de classe baixa da capital, e os assassinos não foram encontrados pela polícia.

E já na madrugada de segunda (7), no bairro Moinhos de Vento, zona nobre de Porto Alegre, uma moradora de rua teve uma das mãos decepadas por um agressor que utilizou um facão para atacá-la. Era possível visualizar as marcas de sangue no trajeto em que Suziane Ramos, 29 anos, fez até o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) mais próximo.

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Ela foi encaminhada ao Hospital de Pronto Socorro (HPS) e realizou cirurgia. No momento, segue internada e o estado de saúde é regular.

Desgaste na segurança pública

A onda de #Violência que se instala em Porto Alegre nos últimos dias surge exatamente no momento em que a segurança pública sofre com as más condições de trabalho oferecidas pelo governo estadual. Com o Rio Grande do Sul mergulhado em uma grave crise financeira, o governador José Ivo Sartori (PMDB-RS) não teve outra alternativa a não ser parcelar salários do funcionalismo público no mês de agosto.

A decisão acabou expondo outros problemas enfrentados especialmente pelos policiais que trabalham diariamente nas ruas buscando oferecer segurança e tranquilidade. Nos dias em que aderiram à greve dos servidores, integrantes da Brigada Militar alegaram que não receberam novas fardas para trabalhar. Nos dias de paralisação, inúmeros agentes permaneceram nos quarteis e não foram às ruas.

Se o salário integral já não é condizente com o risco que a atividade oferece, imagine ele vindo em parcelas. Acrescenta-se, a esta dura realidade, a constante incerteza de estar de volta em casa no final do dia. As dificuldades dos agentes de segurança ilustram a falência do estado. No meio disso tudo, surge em prantos uma população atônita e assustada. Livres e felizes, apenas eles, os bandidos. #Crime #Casos de polícia