Pela primeira vez, em 25 anos, o setor de serviços deve encolher no Brasil. A estimativa de queda foi apontada por economistas, em pesquisa realizada pelo jornal Folha de São Paulo e divulgada na última segunda-feira, 31 de agosto. O encolhimento é mais um reflexo da grave crise econômica que assola o país e que chega a seu ponto máximo em 2015.

Desde que o Brasil voltou a ter um presidente eleito de forma direta, ou seja, por voto popular nas urnas, em 1990, quando Fernando Collor de Mello assumiu a presidência do país, não tinham uma estimativa de queda apontada pelos economistas para o setor de serviços. Ainda de acordo com os economistas, a queda para este ano deve ser em torno de 1,5% do PIB deste setor no Brasil.

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Este setor abarca áreas diversas e bem diferentes entre si, como: saúde, crédito, educação e áreas autônomas como, por exemplo, o serviço de cabelereiros e salão de beleza. Segundo os economistas, este setor corresponde a 61% do PIB brasileiro e mais de 70% dos empregos no Brasil. 

Especialista avalia encolhimento

“Um exemplo disso é que antigamente a cada reforma ou novo canteiro de obras, lá estavam as oportunidades. Mesmo antes da obra acabar, o mercado já procurava quem iria trabalhar no prédio, quando ele estivesse pronto. Hoje, diminuíram as obras e reformas e a economia encolheu como um todo”, afirma Paulo Ferreira Barbosa, Professor Doutor de economia e empreendedorismo da IBE-FGV.

“Atualmente, temos um cenário de juros mais alto 14,25%, para conter a inflação que está cada vez mais longe do teto da meta de 6,5%, desemprego maior, possibilidade de racionamento de energia, crise hídrica, crise política e vários outros problemas”, diz.

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“Para conhecimento, o crescimento do setor de serviços está ligado a dois fatores principais: A variedade de tipos de negócios que ele abrange e a necessidade de investimento inicial mais baixo, quando comparado a empresas que lidam com produtos. Com menos dinheiro no bolso, por causa do aumento do desemprego, desaceleração do crescimento da renda, inflação que corrói cada vez mais o salário do trabalhador e juros mais altos, as famílias consomem menos”, explica o especialista.

Impacto para o país

O especialista Paulo Ferreira Barbosa avalia o impacto deste encolhimento para o Brasil. “O setor de serviço é muito importante na geração de empregos em nosso país. Se não temos empregos, não temos renda e se não temos renda, não temos consumo, o que não faz o PIB (Produto Interno Bruto) crescer. A manutenção do emprego e o crescimento dele é que faz com que a economia se multiplique. Investimentos e novas oportunidades também contribuem para esse crescimento”, garante Barbosa.

Crise do governo e na economia

Como se não bastasse o crescimento alarmante da inflação, o provável encolhimento do setor de serviços deve agravar, ainda mais, a crise no #Governo e na economia do país.

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“O governo depende de arrecadação de impostos para pagar suas contas e fazer investimentos. Se diminui a arrecadação também diminuem os investimentos, causando outros danos ao governo”, explica o especialista em economia, Paulo Ferreira Barbosa. #Trabalho #Crise econômica