Pelo menos dois tremores de terra, com magnitude entre 2.0 e 2.6 na Escala Richet, foram registrados na quinta-feira, 05, na região central de Minas Gerais. Apesar de leves, os pequenos terremotos podem ter sido o estopim que gerou o rompimento de duas barragens, que inundou povoados na região entre Mariana e Outro Preto.

Os abalos sísmicos foram confirmados à imprensa nesta sexta-feira, 06, por geólogos da USP, e teriam ocorrido entre 14h e 16h. Foram um total de quatro registros, sendo que dois deles ocorreram minutos antes da tragédia. Todos os registros são da mesma área. A barragem cedeu às 15h30 e liberou um verdadeiro 'tsunami de lama' sobre Bento Rodrigues, um dos distritos da cidade histórica de Mariana, habitado por quase 2 mil pessoas.

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Apesar do tremores e dos danos fatais nas estruturas das barragens, as sirenes instaladas para evacuação da população, em casos de calamidades, não foram acionadas. Até o momento, já foram resgatados 500 desalojados. Uma vítima fatal já foi confirmada. Há ainda centenas de pessoas desaparecidas. As buscas prosseguirão pelos próximos dias.

O “tsunami” de lama avança pelo estado, atingindo o Rio Doce, um dos maiores de Minas, e pode atingir 15 municípios entre Minas Gerais e Espírito Santo. As perdas humanas, ambientais e materiais ainda não foram estimadas.

Há, não apenas na região central de Minas Gerais, mas pelo interior do mesmo estado, numerosas barragens provenientes das atividades de mineração. Um passeio de avião pela região central ou Zona da Mata, por exemplo, proporciona a visão de um triste espetáculo: montanhas escavadas até sua completa desfiguração, áreas, antes verdes, expondo barrancos, ribanceiras e crateras de todos os tamanhos, produzidos por retroescavadeiras.

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Ao redor, enormes caminhões transportam toneladas de terra que serão levadas para apuração de minério. As águas que lavam essa terra, são as que são descartadas com rejeitos, dentre os quais milhares ou milhões de metros cúbicos de lama. São estas águas lamacentas, que acumuladas, alimentam estas barragens.

A mineração deixa sequelas gravíssimas no meio ambiente, além de largar para as cidades de seu entorno uma verdadeira "bomba relógio", que, por falha humana, ou desiquilíbrio da #Natureza, pode estourar e sepultar vilarejos, rios, matas, rodovias e estradas, em um mar de lama com centenas ou milhares de quilômetros de extensão. #Opinião #Terremoto