O Corpo de Bombeiros confirmou na última quinta-feira uma trinca de três metros localizada na parede da barragem de Germano, próxima às barragens rompidas do Fundão e de Santarém. Segundo funcionários da mineradora Samarco, há mais rachaduras e algumas se encontram em situações graves. Entretanto, a empresa garante que o local está estável e que medidas estão sendo tomadas para minimizar o problema.

Para o capitão de bombeiros Tiago Miranda, a causa do dano é a falta de terra na base da barragem, que foi puxada com o rompimento da barragem do Fundão. Entretanto, segundo o capitão, o dano é mínimo se comparado à extensão do reservatório.

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Em uma avaliação semelhante, o geólogo Eduardo Antônio Marques acredita que a parede que sustenta o Germano pode ter sido danificada com o rompimento do Fundão, mas declarou que não há motivos para grandes preocupações. “Se for uma trinca grande, o que acho pouco provável, já era para ter rompido”, concluiu.

Em uma nota divulgada na tarde do último sábado, a Samarco garantiu que a barragem de Germano se encontra estável e que medidas para conter a erosão e evitar um possível rompimento já estão sendo colocadas em prática: “As estruturas de barragens e diques encontram-se estáveis. Tais estruturas estão sendo monitoradas em tempo real por meio de radares e inspeções diárias são realizadas pela equipe técnica da empresa”.

Entretanto, na mesma nota, a mineradora reconhece que a estrutura está em seu limite: “O maciço principal da barragem de Germano está com fator de segurança acima de 1,90.

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O fator 1,00 significa que a estrutura está no seu limite de equilíbrio. Uma das estruturas auxiliares, de menor porte, denominada dique de Selinha, apresenta fator de segurança acima de 1,20”. Sobre a estrutura auxiliar de menor porte, a empresa garantiu que trabalhos de reforço à base estão sendo realizados para “elevar o coeficiente de segurança”.

Repercussão nas redes sociais

Boatos de "omissão da verdadeira situação da barragem de Germano" têm surgido nas redes sociais, como por exemplo, este texto de Luciana Gasparini:

"Querido amigos, péssima notícia. A terceira barragem de Mariana teve a barreira de sustentação trincada. O volume de lama lá é infinitamente maior ao que desceu até agora. Se romper, Minas Gerais está ferrada. Rezemos muito! Buscas foram suspensas agora em Mariana. Pessoal sendo retirado de lá sob risco de novo acidente. [...] Não estão divulgando adequadamente por motivos diversos! [...] No caminho dela estão vários distritos e lugarejos que serão riscados do mapa! Os jornais não estão falando nada! Estão dando a impressão de que foi um acidente qualquer! [...] Valadares está sem água, os peixes já morreram e agora serão as pessoas? Já que somos invisíveis para os telejornais nacionais, utilizemos as redes sociais para que todos saibam que Minas pede socorro!".

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Outro caso é o da repórter Valquíria Lopes, do portal UAI, que gravou um vídeo e divulgou nas redes sociais, mostrando um policial militar avisando a população de Bento Rodrigues, região atingida pela tragédia, que a barragem de Germano apresentava rachaduras e por causa disso um bloqueio seria feito para impedir o acesso ao distrito. Ainda segundo o policial, as buscas pelos desaparecidos seriam temporariamente suspensas pelo Corpo de Bombeiros: "A barragem está trincada e a empresa já está fazendo outra parede lá para segurar a água. A gente agora tem que ver a vida humana. Se eu permitir que alguém desça lá, pode não voltar. Nós temos uma ótima equipe de bombeiros que está terminando de fazer um pente fino com os cachorros, mas se houver algum problema, o helicóptero está lá para ajudar eles. A gente não pode permitir que você desçam, nem a gente pode descer lá por conta disso". #Natureza