A prefeitura da cidade de Governador Valadares informou que a captação da água do rio Doce foi retomada neste domingo. No sábado, o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, já havia apresentado um laudo sobre a possibilidade do retorno da captação. O abastecimento havia sido interrompido pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto da cidade (Saae) após a lama proveniente do rompimento das barragens do Fundão e Santarém atingir as águas do rio.

De acordo com a prefeitura, os moradores da cidade começarão a receber o fornecimento de água oficialmente na segunda-feira (16) e na próxima sexta-feira há a previsão de que toda a cidade já esteja abastecida.

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Entretanto, alguns moradores relataram nas redes sociais neste domingo que já estavam recebendo o fornecimento de água, que estava escura e com um cheiro forte. Em nota, o Saae respondeu que "a chegada da água pode fazer com que qualquer resíduo no fundo da caixa d'água apareça e a água pareça suja". Tanto a prefeitura como o Serviço de Água e Esgoto da cidade garantiram que "a água distribuída estará dentro dos mais rigorosos padrões de qualidade para o consumo".

Enquanto o fornecimento não é plenamente distribuído, 14 pontos de distribuição de água estavam espalhados pela cidade. A água vem da cidade de Ipatinga por meio de caminhões-pipa. Mais de quarenta caminhões estão em operação, mas está previsto que mais cento e cinquenta caminhões-pipa iniciem as suas atividades na cidade. Segundo dados da prefeitura, são necessários quinze milhões de litros de água para abastecer a cidade, mas atualmente menos da metade tem chegado ao município.

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Em dias normais, os números podem chegar a sessenta milhões de litros de água.

Descarte de água e ocupação indígena

Na última sexta-feira, duzentos e quarenta mil litros de água vindos em vagões-tanque da Vale foram descartados por conter, segundo a prefeitura de Valadares, "alto teor de querosene". Em uma nota, a Vale respondeu que os tanques nunca foram usados para transportar qualquer tipo de material que não fosse água: "Este vagões só transportam água e nunca transportaram querosene. A Vale entregou a água em Governador Valadares esta manhã (sexta-feira), em local acordado com a prefeitura. Essa, por sua vez, se responsabilizou pelo transporte da água em caminhões-pipa, que não são de responsabilidade da Vale. Representantes da empresa estão entrando em contato com a administração municipal para esclarecer o ocorrido".

Neste domingo, a prefeitura acusou novamente a Vale de negligência no fornecimento de água, informando que após o descarte de água da última sexta-feira, os vagões tanque da empresa não estão chegando à cidade.

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Porém, prefeitura considera a ocupação da Estrada de Ferro Vitória Minas (EFVM) pelo índios Krenak a causa do impedimento, fato que foi confirmado pela Vale em uma nota: "Com a ocupação, as operações de carga e de passageiros estão paralisadas por tempo indeterminado e está prejudicado o apoio à distribuição de água para outras comunidades ao longo da EFVM". #Opinião #Crise