Chão rachado, torneiras vazias, jumentos com ancoretas e carros-pipa. Essas são imagens fortes que podem ser vistas todos os dias em vários municípios dos estados do Nordeste.

Na Paraíba, 195 cidades, das 223 que existem no estado (ou seja, mais da metade) estão passando por uma situação difícil, na qual, até os mais antigos moradores da região afirmam que nunca viram algo semelhante no lugar. Especialistas, inclusive, já consideram esta como a maior seca nordestina dos últimos anos. As regiões da Paraíba mais afetadas são Cariri e Sertão.

Para se ter uma ideia mais clara sobre o problema, o açude Epitácio Pessoa, na cidade de Boqueirão, também conhecido como “Açude de Boqueirão”, responsável por abastecer 18 cidades do compartimento da Borborema e Curimata, hoje funciona apenas com 15% de sua capacidade.

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Com isso, cidades como Pocinhos, a 32Km de Campina Grande (abastecidas pelo "Açude de Boqueirão"), hoje vivem em rodízio de abastecimento. O fornecimento é feito dia sim e dia não nos bairros da cidade. Somando o total de dias, tem bairro que passa quase 30 dias sem ver uma gota de água se quer nas torneiras.

Quem mais sofre com a seca é setor agropecuário. Maior fonte de renda de cidades do interior da Paraíba. Agricultores rezam firmes e fortes para que “as torneiras do céu” sejam abertas o quanto antes. As chuvas no estado estão mais escassas do que nunca e o que cai mal dá para juntar água nos reservatórios. Isso quando chove, pois, nos últimos anos, devido a altas temperaturas no clima, o inverno na região nunca mais foi o mesmo.

Enquanto isso, na pacata Pocinhos, a rotina de moradores resume-se a comprar água para consumo. Tem cidade que a situação é ainda pior. Em Puxinanã, o açude secou e o abastecimento é feito uma vez por semana por um caminhão-pipa.

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O veículo despeja a água em caixas d'água espalhadas pela cidade. Essa água vem de um pequeno açude e é imprópria para o consumo. Carros-pipa, jumentos, cisternas e a perfuração de poços artesianos são as “escapatórias” que essas cidades estão tendo.

2016 tende a ser um ano de muitas dificuldades, caso não volte a chover na região. #Natureza #Mudança do Clima #Crise no Brasil