Uma matéria publicada no mês passado pelo jornal americano The New York Times ressalta que a multinacional norte americana Tiaa-Gref,  empresa de fundos e investimentos de pensões dos Estados Unidos, consegui comprar mais de 256.324 hectares, entre os anos de 2012 a 2015, nos estados do Maranhão e Piauí. De acordo com as investigações do Ministério Publico do Maranhão, a  empresa investe na área agrícola, em parceria com investidores brasileiros, e gasta milhões de dólares na compra de terras irregulares localizada a beira da Floresta Amazônica.

Escala industrial X versão agrícola

Em 2010, o interesse estrangeiro por terras brasileiras levou o Ministério da Justiça a limitar significativamente o número de investimentos fora do Brasil na área agrícola.

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A maioria destes investimentos veem nestes contratos uma forma de diversificar os seus portfólios.

Na área agrícola a mudança surtiu efeito, onde a aquisição de terras para investidores estrangeiros caiu de 25.000 para 5 mil hectares. A medida proibi os investidores a possuírem mais de 25% de terras em qualquer município brasileiro. Tais medidas colocaram o pé no freio de investidores estrangeiros em terras brasileiras.

Mas em vez de reduzir a sua área de investimentos, a Tiaa-Gref aumentou ainda mais as suas aquisições de terras, principalmente entre os estados do Maranhão e Piauí. Em 2012, a empresa possuía cerca de 104.359 hectares e subiu para 256.324 hectares no início de 2015.

Gerson Teixeira, presidente da Associação Brasileira de Reforma Agrária e membro do Conselho que investiga os documentos sobre os contratos que envolvem a compra e venda de terras irregulares, afirma:

"Estou ciente de que certos grupos de investidores estrangeiros tentam driblar a legislação brasileira''.

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Em 2008, a americana começou a comprar terras em parceria com a Cosan, empresa brasileira do ramo de açúcar e comandada pelo bilionário Rubens Ometto  As duas empresas formaram um empreendimento denominado Radar Propriedades Agrícolas, cuja divisão na parceria é dividida em 81% da Tia-Cref e 19% da Cosan.

Um relatório do grupo Grain - que investiga a compra e venda de terras ao redor do mundo, com sede na Espanha, esta investigando como a empresa age para adquirir dezenas de propriedades ao mesmo tempo. Testemunhas afirmam que pessoas em nome da empresa Radar Propriedades Agrícolas costumam visitar as pequenas propriedades oferecendo uma proposta de compra muito abaixo do valor de mercado.

O pequeno produtor se vê obrigado a aceitar a proposta. Aqueles que rechaçam são expulsos de suas terras. Há fortes indícios de que a empresa utiliza-se de milícias armadas, em que pistoleiros são contratados para expulsarem pequenos agricultores de suas terras.

A partir daí, estas terras são repassadas para o comando do grileiro Euclides de Carli, um homem sombrio, que age em prol dos investidores.

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De Carli  já é  investigado pelo Ministério Público do Maranhão, acusado de expulsar centenas de famílias de suas terras, utilizando táticas como  a queima de plantações, matando animais e incendiando as moradias dos agricultores entre outros.

O promotor Lindonjonson Gonçalves de Sousa, que investiga o caso, afirma que Euclides del Carli é um dos maiores ''grileiros'' da área agrícola no Brasil. '' Não deveria ser surpresa para ninguém se ele fosse o principal causador das disputas de terras no Maranhão'', disse o promotor. #Agricultura #Corrupção #Investigação Criminal