Após a Frente Parlamentar de Saúde ter, espantosamente, sugerido na última quinta feira (19) que as mulheres adiassem os planos de gravidez, nova medida foi tomada, dessa vez pelo Ministério da Saúde: a declaração da Situação de Emergência em Saúde Pública Nacional.

Trata-se de ato extraordinário, previsto no Decreto 7616/11 e regulamentado pela Portaria 2952/11, imposto em razões excepcionais que demandem o emprego de ações urgentes de prevenção, controle e contenção de riscos. E a preocupação é justificável - tanto pela gravidade da doença quanto pela forma de disseminação. Em informações repassadas pelo próprio Ministério da Saúde, foram notificados 487 casos de microcefalia em Pernambuco contra 12 em 2014.

Publicidade
Publicidade

Vários Estados apresentaram aumento de casos relacionados. Em todo o país a escalada foi de mais de 500% (147 para aproximadamente 739 casos).

A microcefalia pode ser definida como uma condição de crescimento anormal do cérebro e da caixa craniana. Na literatura médica, a microcefalia apresenta diversas causas, tais como malformações decorrentes de síndromes genéticas específicas (Síndrome de Down, Síndrome de Edwards dentre outras) e não-genéticas, tais como o abuso de drogas, desnutrição materna, doenças como a rubéola, toxoplasmose e varicela, que atingem o feto nos primeiros três meses de gestação. Não havia registro na literatura de causa relacionada com o vírus Zika.

Conforme relatou Cláudio Maierovitch, Diretor de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde, o Brasil está diante de uma situação nova e específica, não se sabendo ao certo qual será o desdobramento, já que poderá haver tanto o recuo quanto o aumento dos casos. De toda forma, medidas drásticas são exigidas já que se confirmada a causa (transmissão pelo mosquito Aedes Aegypti) a propagação da doença poderá ser extremamente rápida.

Publicidade

No que tange aos efeitos da microcefalia, Maierovitch, foi enfático: 90% dos casos de microcefalia apresentam retardo de desenvolvimento neurológico, psíquico e motor e a tendência é que o retardo se apresente mais tardiamente e não após o nascimento.

O Estado de Pernambuco apresentou o maior aumento do número de casos com 487, seguido por Paraíba (96), Sergipe (54), Rio Grande do Norte (47) , Piauí (27) e Alagoas (10). Rio de Janeiro e São Paulo também apresentaram suspeitas. 

 

  #Governo #Hospital #Medicina