No Brasil, entre os anos de 2001 e 2011 foram registrados mais de 50 mil casos de feminicídios (morte intencional de pessoas do gênero feminino), e aproximadamente um terço das mortes ocorreram dentro da casa das vítimas. Uma pesquisa do Senado brasileiro estima que aproximadamente 14 milhões de mulheres já sofreram alguma forma de agressão. Segundo o site BBC Brasil, Maria Fernanda (nome fictício) não conseguiu escapar das estatísticas. A moça de 20 anos relatou ao portal sua dificuldade ao prestar queixa de agressão do ex-namorado - na época, ainda atual - pai de sua filha de 10 meses. Ela conta que passou mais de dois anos com o ex-parceiro; encontrando-se desamparada em um relacionamento abusivo, onde sofria #Violência física e psicológica, sentindo-se culpada de tudo.

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Depois da gravidez, época em que se encontrava mais sensível e "dependente", as agressões tornaram-se muito frequentes.

Maria Fernanda afirma que na última agressão ele havia chegado extremamente bêbado em casa e a filha do casal estava doente. Cansada, resolveu colocar um ponto final no relacionamento, o que fez com que o namorado a enforcasse, pressionando-a contra a parede.

Ela conta que desmaiou e derrubou a filha no chão e, ao acordar assustada, resolveu ligar para o 190. A polícia chegou depois de 45 minutos e o agressor foi tratado com cordialidade, não foi algemado, e ambos foram levados na viatura para a delegacia da Polícia Civil, juntos no banco de trás, o que deixou a moça incrédula: 'o cara tinha acabado de me agredir, eu não conseguia acreditar'.

A moça diz que, em todo o percurso, o policial que dirigia a viatura tentava desestimula-la a denunciar, dizendo que estavam de cabeça quente, que o B.O.

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era desnecessário, exagero. Ao chegar na delegacia, a mesma cena se repetiu: primeiro, o delegado ouviu todo o depoimento relatando as agressões. Então, passou a questionar a vítima se seria mesmo necessário o B.O., que era "coisa de mulher", não valia a pena "ferrar o cara a toa", e além de não resolver nada, ele iria ficar com ainda mais raiva dela. Chegou a declarar que as marcas da violência sofrida eram "fraquinhas" e que já teriam sumido ao fazer o exame de corpo de delito. A insistência foi tanta que Maria Fernanda acabou desistindo, sentindo-se humilhada e desestimulada. A jovem alega que sua filha ficou com traumas, e o sentimento de insignificância é grande. Espera-se que, na delegacia, a mulher vai encontrar o apoio necessário para uma situação tão delicada, mas a realidade é outra.  #Comportamento #Casos de polícia