Delegados alertam que o corte nas verbas para a PF pode comprometer as operações realizadas contra a corrupção e o crime organizado.

A notícia do corte de pelo menos R$ 133 Milhões nas verbas destinadas a Polícia Federal no próximo ano de 2016 trouxe inquietação entre os Delegados e Policiais em atividade.

O corte representa cerca de 13% do total destinado ao combate ao crime organizado em todo pais pela instituição, os agentes relatam que a diminuição nas verbas poderão trazer prejuízos diretos nas atividades da polícia, em especial na de investigação e combate ao crime organizado como corrupção, fraudes e desvios de recursos públicos.

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O corte vem num momento inoportuno quando a instituição está entre as mais conceituadas e de maior credibilidade entre os brasileiros, com 70% de aceitabilidade, a Associação dos Magistrados Brasileiros divulgou pesquisa onde a PF teve a melhor nota de avaliação entre as instituições brasileiras no ano de 2014, na pesquisa 3600 juízes avaliaram 14 das principais instituições em todo pais.Vale ressaltar que os cortes no orçamento da Policia Federal vem acontecendo gradativamente desde 2013, e que em 2014 a PF apreendeu a vultosa soma de mais de R$ 3 Bilhões em bens e valores.

Em matéria no site da Associação dos Delegados da PF o presidente Carlos Eduardo Miguel Sobral faz uma declaração:

"Evidentemente, as operações da PF podem ficar comprometidas com um corte orçamentário desta magnitude. A Polícia Federal de 2016 pode não ser a mesma de 2015 em razão destes cortes. Por isso, é fundamental que a PF tenha autonomia orçamentária e financeira”, afirma Sobral.

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Suspeita de retaliação.

Alguns delegados ao se manifestarem à respeito acreditam em retaliação, devido à forte investida da PF na operação Lava Jato, que isso teria irritado alguns investigados na Câmara Federal e no Senado.

Ricardo Barros, deputado pelo PP do Paraná, relator do orçamento, cujo partido teve vários deputados denunciados na Operação Lava Jato disse que quase todos os setores sofreram cortes e que não há motivação política e nem houve retaliação, quando questionado sobre o assunto afirmou :

“Não, não, pelo contrário, estamos todos satisfeitos com o trabalho que está sendo realizado pela Polícia Federal e também pelo Ministério Público. Ninguém pode ignorar que estamos passando por um momento de recessão econômica, queda de receitas, e o governo não pode gastar mais do que arrecada.” e  “Uma coisa é certa: todo mundo está no corte.”

Disse que por iniciativa dele teria recomposto o orçamento em R$ 38 Milhões, “Houve recomposição, eu não sei quanto foi o corte da PF, mas autorizei recomposição de R$ 38 milhões”.

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“Não sei quanto foi o corte, são muitas rubricas, não consigo decorar, o fato é que o corte afetou a todos igualmente, Polícia Federal teve corte, Ministério Público teve”.

Carlos Eduardo Sobral que é presidente da (ANDPF) Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal, a entidade representante da categoria se diz preocupado e declarou:

“Os delegados acompanham com muita preocupação o corte de R$ 133 milhões, exatamente porque ele acaba atingindo diretamente a prestação dos nossos serviços que poderão ser prejudicados, vai ser um ano muito difícil para a Polícia Federal".

O presidente que é um dos defensores da aprovação da PEC 412 (na Comissão de Justiça da Câmara desde 2011) que trata da autonomia para a PF e disse mais:

"Essa é a nossa grande luta, com a autonomia financeira e orçamentária não sofreremos mais esses cortes" #Petrolão #Congresso Nacional