O engenheiro francês Marc Collet, um dos envolvidos na coordenação do projeto que devolveu a vida ao Rio Sena, veio ao Brasil participar de um seminário ambiental que irá reunir autoridades e especialistas para discutir a situação dos meio hídricos do Brasil e do mundo.

Aproveitando a viagem, o engenheiro sobrevoou nesta segunda-feira (14) o Rio Doce, atingido há mais de um mês por derramamento de lama que tornou o acontecimento o mais grave da história ambiental do país.

É estimado que mais de 35 milhões de metros cúbicos tenham sido despejados no rio, destruindo casas, deixando 19 vítimas e devastando o Rio Doce. De acordo com informações do Ibama, a extensão de rejeitos no mar já ultrapassou os 57 km na direção norte, 17 km para o sul e 18 km para o oceano, totalizando mais de 230 km quadrados de área atingida.

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Uma nova vida ao Rio Sena

O Rio Sena, um dos mais importantes da Europa, possui 776 km de extensão e banha a capital francesa Paris, desaguando no Oceano Atlântico. Embora seja mundialmente conhecido e importante para a região, o rio já foi dado como morto, em virtude principalmente das centenas de ano que recebia esgotos residenciais e poluição das industriais, além de alta carga de poluentes utilizados no agropecuária.

No início da recuperação do rio, apenas quatro espécies de peixes ainda conseguiam habitar suas águas, número que cresceu para 35 nos dias atuais. As águas do Rio Sena eram malcheirosas e turvas, e encontravam-se em estado terrível, segundo o engenheiro.

O processo de despoluição teve início em 1964, e embora não esteja totalmente recuperado, já que continua recebendo cargas contaminantes, a melhora observada nestas últimas décadas é surpreendente e segue com resultados positivos.

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Para colocar o projeto de recuperação em prática, a França implementou um sistema de poluidor-pagador, fazendo com que as empresas que gerem poluição arquem com o financiamento dos projetos de restauração ambiental.

O dinheiro arrecadado com este sistema vem rendendo aproximadamente 1 bilhão de euros anualmente, e é revertido para a conservação ambiental.

Marc diz ainda que incidentes similares ocorreram na Europa nos últimos anos. Em 2010, na Hungria, houve um caso parecido com o desastre do Rio Doce. Por lá, as empresas responsáveis foram condenadas a pagar grandes indenizações e reparar todo o dano causado ao meio ambiente. #Natureza