Nos últimos dois anos, a crise hídrica no Estado de São Paulo ganhou bastante espaço na mídia brasileira. A situação precária dos reservatórios paulistas, com índices bastante baixos, chamou a atenção de uma grande camada populacional que, em geral, desconhecia a escassez de água como um problema real.

Por outro lado, essa maior exposição midiática da crise hídrica paulista despertou em diversas pessoas um interesse e uma preocupação maiores com a conservação das águas brasileiras, como ressalta Ângelo Lima, especialista em conservação do WWF-Brasil: “Sem dúvida, mesmo sabendo que o Nordeste e outras regiões do Brasil já experimentam o problema da escassez faz tempo, a crise hídrica no Estado de São Paulo, para nós que trabalhamos com a gestão das águas no país, apresenta-se como uma oportunidade que se abre para fazer chegar a toda a sociedade brasileira que a água deve ser uma agenda estratégica na elaboração de políticas públicas do país”.

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Líquido social

Para ele, mesmo passado o momento crítico, é fundamental que “a sociedade brasileira entenda que falar ou ter políticas públicas que integrem meio ambiente e desenvolvimento, água e desenvolvimento econômico, social e ambiental, é garantir a qualidade de vida para as presentes e futuras gerações”. E complementa: “Este é um momento ímpar para aproveitarmos e quem sabe fazer valer que, usando uma expressão de uma professora portuguesa, ‘a água é um líquido social’. A água é um elemento que pode e é mobilizador e integrador de várias políticas”.           #Natureza