A região Nordeste é a mais afetada no Brasil em relação ao registro comprovado de casos de microcefalia em recém-nascidos. De acordo com dados do Ministério da Saúde, 90% dos casos da #Doença estão concentrados em território nordestino. Para piorar ainda mais a situação, que já bastante delicada, está em vigor em quase todos os estados do Nordeste, uma #Greve de agentes de controle de vetores.

Além disso, ocorre também a escassez de larcivida para combater a proliferação do mosquito Aedes aegypti, responsável por transmitir o Zika vírus, que está sendo considerado o causador de mais essa doença. Com a greve dos agentes, aliada a falta do produto para matar o mosquito, o surto de microcefalia no Nordeste chega a um estado já visto como agravante pelos especialistas em saúde pública no país.

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A greve dos agentes não prejudica apenas o combate contra o Zika e a microcefalia, compromete também a luta da região contra a dengue (também causada pelo Aedes aegypti), que está cada vez mais em alta no país, sobretudo, nesta época do ano, na qual o calor já impera, mesmo antes do início oficial do verão, dia 21 de dezembro.

Segundo o jornal Folha de São Paulo, um dos motivos para a greve destes profissionais foi o corte de verbas feito pela União, que reduziu os investimentos nas equipes de trabalho em até 40%, como ocorreu no estado de Pernambuco, que, segundo a ANS (Agência Nacional de Saúde), é o mais afetado do Brasil pelo atual surto de microcefalia em bebês. Aproximadamente 1.250 casos de má-formação do cérebro em recém-nascidos já foram registrados no país, somente em 2015.

Vale ressaltar que o mosquito Aedes aegypti é o responsável também pela proliferação de mais outra doença, a chikungunya, o que faz com que a greve dos agentes de controle de vetores no Nordeste seja ainda mais preocupante para as autoridades médicas e políticas, mas, sobretudo, para a população, que é quem, de fato, sofre com este surto.

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Agentes reclamam da União

Uma das cidades do Nordeste onde acontece a greve dos agentes de controle de endemias é Salvador. Na capital baiana, com pouco mais de três milhões de habitantes, apenas 1.000 agentes ainda estão sendo custeados pela União, o que tem gerado bastante crítica por parte destes profissionais, pois existem cerca de 1.400 agentes sem receber pelo trabalho de combate ao mosquito.

“É uma situação bastante irritante. Não só eu, mas todos nós agentes estamos chateados com isso que está acontecendo. O #Governo erra a conta e nós é que pagamos o pato. Precisamos de mais recursos para pagar a todos os agentes que estão dia a dia nesta luta contra o mosquito e contra a dengue, e outras doenças que ele causa. É preciso valorizar mais esta importante classe de trabalhadores, que está aqui tentando salvar o país deste surto horrível da microcefalia”, reclama Maria da Glória, agente de saúde em Salvador.

Falta de larvicida

Como se não bastasse a greve de profissionais no Nordeste, responsáveis por combater o avanço das doenças causadas pelo Aedes aegypti na região, também ocorre a falta do larvicida, produto que serve justamente para matar o mosquito nos recipientes onde este gosta de se proliferar.

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Os estados nordestinos mais afetados pela falta do material são: Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe (estes dois últimos, chegaram a ficar por cerca de quatro meses sem o produto).

O larvicida é distribuído pelo Ministério da Saúde para que os agentes apliquem nas casas dos brasileiros com o objetivo de eliminar criadouros potenciais do mosquito Aedes. Ainda de acordo com a Folha, o Ministério não explicou o motivo da falta deste material na maioria dos estados do Nordeste.