Foram divulgados nesta semana pelo jornal Folha de São Paulo, dados inéditos do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), sobre o número de mortes em acidentes de trânsito ocorridos no Brasil. Segundo os dados apresentados, houve, pela segunda vez consecutiva, uma queda nos números estatísticos deste tipo de morte no país. A queda, desta vez, representou uma taxa de 5% de redução.

Depois de uma sequência de crescimento alarmante, que fez o número de mortes nas estradas brasileiras aumentarem em quase dez mil vezes, de 2009 a 2012, segundo os gráficos do IBGE, nos últimos dois estudos realizados pelo Instituto, os números caíram em cerca de cinco mil vezes.

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De 2012 para 2013, o número de mortes no trânsito caiu de 44.812 para 42.266. Já com relação à queda de 2013 para 2014, último estudado realizado e divulgado, a redução foi de 42.266 para 40.294. Segundo a Folha, desde o ano 2000 não havia um registro de queda por dois anos consecutivos no caso das estatísticas de mortes nas estradas do Brasil.

Para o agente de trânsito Elson Lisboa, 43 anos, a redução deve continuar no próximo estudo do IBGE, que divulgará os dados referentes a 2015.

“Acho que vai reduzir ainda mais na próxima pesquisa. Com essa crise que está aí, as pessoas estão viajando menos e preferindo programas mais caseiros com familiares e amigos. Elas também estão bebendo menos bebidas alcoólicas, pelo menos quando vão dirigir, e isso reflete significativamente na redução dos acidentes de trânsito.

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Com a crise, muito menos carros foram vendidos, o que também vai refletir na manutenção desta redução de mortes nos dados de 2015”, garante Lisboa.

“Além disso, acredito que as inúmeras campanhas de conscientização, que foram feitas não apenas pelo #Governo, mas também por várias outras iniciativas pessoais e privadas, estão começando a surtir efeito na cabeça das pessoas. Muita gente já perdeu parentes e amigos queridos por conta de irresponsabilidades no trânsito, e, por conta disso, agora começam a ter muito mais cuidado para evitar novas perdas, que só quem já perdeu alguém desta forma sabe o quanto é dolorido, pois sabe que o acidente poderia ter sido evitado se tivesse havido responsabilidade no trânsito”, conclui o agente.

Meta ainda não foi alcançada pelo Governo

O Governo comemora a redução das mortes no trânsito, no entanto, mesmo com a queda evidenciada na pesquisa, a mesma ainda não foi o suficiente para fazer com que o Brasil atingisse a meta objetivada pelo PNT (Plano Nacional de Trânsito), apresentado em 2004, pelo então presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (#PT), em seu primeiro mandato. 

De acordo com os objetivos para o Plano, idealizados pelo Governo Lula (2003-2010), e mantidos no Governo #Dilma Rousseff (2011-atualmente), do mesmo partido, o país deveria alcançar a taxa de 11 mortes para cada 100 mil habitantes em, no máximo, dez anos, a partir da criação do PNT.

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O que até hoje não aconteceu, pouco mais de 11 anos depois do lançamento do referido Plano.

Atualmente, com a divulgação dos dados evidenciando mais uma redução, a taxa é de 19,9 mortes para um grupo de 100 mil habitantes. Apesar da taxa ser a menor alcançada nos últimos cinco anos, ou seja, desde 2010, ainda representa quase o dobro da meta idealizada pelo Governo, em meados da década passada.

Segundo informações da Folha, os dados ainda podem ser reavaliados pelos responsáveis, o que pode modificar os números apresentados da pesquisa.