Questionado sobre a melhor maneira de alcançar as pessoas para que ocorra uma ampliação da participação popular e, consequentemente, uma maior conscientização da população sobre os recursos hídricos, o especialista em conservação do WWF-Brasil, Ângelo Lima, afirma: “Em primeiro lugar, creio que deva ocorrer uma grande campanha de esclarecimento sobre os usos da água em nosso país, demonstrando claramente que a visão que alguns ainda têm de que a água é um recurso inesgotável não é correta. Claro, desmistificando também qualquer questão se a água vai acabar. A água não irá acabar, mas o que corre risco é a qualidade da água e, desta forma, não será mais possível atender a demanda para o abastecimento urbano”.

Publicidade
Publicidade

Forte componente educacional e cultural

De acordo com Lima, há também “um forte componente educacional e cultural que deve ser trabalhado na sociedade brasileira, e não estou falando somente de setores mais pobres, mas da nossa cultura de entendermos ainda que existe o ‘Estado Pai ou Mãe’ que irá resolver todos nossos problemas”. Nesse contexto, “A gestão das águas nos chama a todos para realizar a gestão, tomarmos decisão sobre as bacias, dizer o que queremos sobre os nossos rios, como queremos que eles sejam, enfim, temos a oportunidade de tomar decisões sobre a gestão das águas”.

“Neste caso, a melhor combinação para que ocorra uma ampliação da participação da sociedade brasileira nos comitês de bacias e na gestão das águas passa por campanhas permanentes de sensibilização, por mudanças culturais e de comportamento – e aí entra o tema da educação –, passando pelo fortalecimento dos órgãos gestores e dos comitês de bacias em todo o país para que eles também façam programas de mobilização social nas bacias a fim de ampliar esta participação”, finaliza.

Publicidade

#Natureza