Uma possível “censura prévia” aconteceu na tarde dessa quarta-feira (24) em Patos de Minas, interior de Minas Gerais.

O programa Espaço Feminino, apresentado por Ludmila Bahia e transmitido pela NTV (canal local), foi retirado do ar minutos após o seu início.

O programa abordaria um assunto que vem tirando o sossego das mulheres da cidade: a crescente onda de estupros que vem ocorrendo no município.

O último estupro aconteceu no dia 16 de janeiro de 2016. Uma mulher de 27 anos foi abordada, levada para um terreno baldio e estuprada. Uma semana depois, no dia 27 de janeiro, a Polícia Civil conseguiu identificar Renan de Carvalho Oliveira Gomes, um engenheiro agrônomo de 31 anos, suspeito de ter praticado esse e outros estupros.

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O suspeito foi reconhecido pelas vítimas através das características físicas, roupas e voz.

No programa que iria ao ar na última quarta-feira, seria exibido uma entrevista exclusiva com a última mulher vítima dos estupros. Na entrevista, ela contaria detalhes do ocorrido, como foi o atendimento no hospital da cidade e falaria dos traumas que hoje ela carrega por causa da violência sofrida. Além da entrevista com a vítima, o programa também teria participação de Luís Mauro Sampaio, Delegado Regional, o Promotor de #Justiça Paulo César Freitas e também com a psicóloga Patrícia Paim. O objetivo do programa era trazer informações e estatísticas sobre o assunto, dicas para que as mulheres possam se proteger ainda mais e a opinião das autoridades sobre o assunto.

Os advogados de defesa do acusado entraram com pedido de liminar para que o programa não fosse exibido, alegando que o inquérito ainda não teria sido concluído e que isso poderia denegrir ainda mais a imagem de Renan.

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O Juiz Marcus Caminhas Fasciani, da 2ª Vara Cível da Comarca de Patos de Minas, acatou o pedido dos advogados e determinou que nenhuma imagem, texto ou comentário sobre o suspeito fosse apresentado no programa. Como o programa já estava gravado, a única alternativa foi retirar do ar.

A apresentadora usou seu perfil no Facebook para demonstrar sua indignação contra a decisão. O vídeo postado já teve mais de 11 mil visualizações: Veja:

A ABERT (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e #Televisão) divulgou uma nota repudiando a decisão do Juiz. A entidade defende que a decisão fere o direito da liberdade de expressão, que é assegurado constitucionalmente ao cidadão brasileiro. Veja a nota:

O diretor-presidente da emissora, Oscar Faria, disse que irá recorrer da decisão para que o programa seja exibido em uma nova data. #Casos de polícia