Após uma série de protestos de todos os tipos nas redes sociais brasileiras, a cantora de axé #Claudia Leitte desistiu de publicar a sua autobiografia, pelo menos com recursos que seriam captados pela Lei Rouanet. Segundo o portal UOL, a Ciel Empreendimentos Artísticos, produtora da qual a cantora é sócia informou em nota oficial: "A Ciel repudia notícias maldosas que sugerem que Claudia Leitte se beneficia de incentivos fiscais e informa ainda que o mesmo já estava abortado - sendo assim, como o recurso não foi captado, será arquivado no MinC".

O Minc (Ministério da Cultura), que está prestes a ter o seu canal de TV, informou que soube nesta quinta-feira (18), e que a repercussão negativa provavelmente tenha sido o motivo.

Publicidade
Publicidade

Apesar da quantia liberada ter sido de R$ 356 mil, a assessoria da cantora havia solicitado RS 540 mil. Vale ressaltar, que mesmo sendo uma publicação promocional, o que significa que parte do livro seria distribuído gratuitamente no país, a atitude da cantora provavelmente seja muito comemorada.

A Ciel lamentou, argumentando que o livro possuía um "impacto cultural positivo" e que oferecia fotos da cantora, uma entrevista, letras e partitura de suas músicas. A tiragem inicial seria de 2000 exemplares, sendo 900 para distribuição (bibliotecas públicas, imprensa e "patrocinadores").

Desde que criada  (1991) a Lei Rouanet traz controvérsia: pode beneficiar tanto artistas independentes quanto já consolidados.O que, para uma política que só oferece obstáculos para os artistas ainda anônimos, chega a ser no mínimo polêmico.

Publicidade

Infelizmente não dá margem à muita confiança em seu processo de seleção dos contemplados, pois seria no mínimo desleal a "disputa" de projetos de artistas de carreiras já consolidadas com os ainda anônimos. Anônimos que muitas vezes tem o mesmo nível de qualidade (ou maior ainda) que os já consagrados pela mídia e/ou grande público. Complica mais ainda o texto da Lei no que sugere "cultural", pois coloca em xeque a significância de muitos projetos escolhidos, como seria o do caso em questão. Não seria a primeira vez. O cantor Luan Santana por exemplo, recentemente captou nada menos que R$ 4,1 milhões para bancar a sua turnê.  Mesmo que consideremos artistas de expressão que tem não só popularidade como também uma indiscutível história na música popular brasileira - Milton Nascimento (captou R$ 957 mil),  Rita Lee (R$ 1,8 milhões) e Maria Bethânia (1,3 milhão). Não  parece algo justo, visto que esses grandes nomes poderiam buscar oportunidades através de outras portas, que certamente se abrem mais fáceis que para os anônimos.

Publicidade

O MinC informou que o projeto passou por todos os trâmites legais para chegar à aprovação. Talvez tenha mesmo. Mas é possível que a aprovação tenha um lado positivo também: o de  nos trazer uma reflexão bem interessante. Pois já que tais projetos são bancados basicamente com dinheiro público, e que o público usufruirá de parte disso gratuitamente (embora o contemplado usufruirá bem mais pessoalmente), podemos pesar melhor a que tipo de "cultura" o Governo está interessado em nos submeter. Considerando o nível dos "artistas da nova geração", que são os que causam alvoroço na grande massa, Felizmente o povo, o real dono desse recurso, soube dizer não, e fez compreender o poder que de fato tem; se não pelo seus representantes, pela consciência estratégica de Claudia Leitte e seus associados, que reconheceu a força da opinião pública através da Internet, pois aqui somos todos iguais #Livros