Em São Paulo, no ano de 2015, a situação foi diferente em comparação à luta paranaense. Os professores da rede pública paulista declararam greve no dia 13 de março e, desde o início, buscaram diálogo com o governador Geraldo Alckmin (PSDB). A pauta dos professores se resumia em reajuste salarial, redução de alunos por sala, contra o fechamento de salas de aulas, além de vários outros pontos.

Por quase todo o período da #Greve, a maior da categoria, os professores foram ignorados pelo governo, que contou com o apoio de alguns profissionais da #Educação, ocupando cargos de confiança, como diretores de #Escola. Esses foram responsáveis por colocar “professores” substitutos nas aulas dos professores grevistas, para camuflar a ausência deles.

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Além disso, muitos desses “professores” não eram formados, ao menos cursavam alguma licenciatura. Muitos eram bacharéis, tecnólogos ou alunos de outras áreas, que estavam na sala de aula apenas para manter as crianças dentro da escola.

Sem pagamento, o governo tucano foi vencendo os professores através do desgaste. Alckmin e seu secretário da Educação, o engenheiro Herman Voorwald, recentemente citado no escândalo de corrupção da merenda em São Paulo, não fizeram propostas ao professorado paulista que, após 92 dias, optou pelo fim da greve, sem reajuste salarial e sem diálogo entre professores e governo.

Como se não bastasse o reajuste de 0%, Alckmin anunciou um novo atentado contra os professores e alunos: a Reorganização Escolar, que visava fechar 94 escolas, transformar em ciclo único outras 754 unidades, transferindo de forma compulsória alunos, professores e funcionários, além de reduzir o número de salas de aula e superlotar classes como consequência.

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A medida foi anunciada com muito entusiasmo pelo então secretário da Educação, só que o governo paulista não contava com reação por parte de alunos afetados direta ou indiretamente pela “Reorganização”. Como forma de protesto, alunos passaram a ocupar escolas a partir do dia 9 de novembro, sendo a Escola Estadual Diadema, localizada no ABC paulista, a primeira.

Após muita resistência, mais de 200 escolas ocupadas e manifestações de rua, com truculência por parte da Polícia Militar do estado de São Paulo, no dia 5 de dezembro, o governo Alckmin recuou temporariamente em relação à “Reorganização” e o secretário Herman optou por deixar a pasta, dando uma vitória prévia aos alunos e professores engajados no combate a mais esse retrocesso na educação pública paulista.

EDUCAÇÃO EM LUTA EM GOIÁS

Em Goiás, os ataques contra a educação foram bem mais complicados. O governador goiano Marconi Perillo (PSDB) anunciou, que a partir de 2016, as administrações de pelo menos 30% das escolas públicas seriam terceirizadas para as Organizações Sociais (OS).

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Além disso, foi anunciado a militarização de outras 7 escolas estaduais.

Professores e alunos logo se movimentaram contra as ideias retrógradas do governador tucano. Em dezembro, os alunos passaram a seguir o exemplo dos secundaristas paulistas e ocorreu as primeiras ocupações escolares.

Enfrentando muita repressão policial, os alunos goianos ainda resistem aos desmandos do governador Marconi. Já em fevereiro de 2016, escolas continuam ocupadas por Goiás, totalizando 16 colégios. A luta contra a terceirização e militarização da escola pública ainda não terminou no estado.

Além do Paraná e São Paulo, vários profissionais da educação de outros estados se mobilizaram e deflagraram greve durante o ano de 2015, sendo alguns deles Santa Catarina (de 24 de março a 3 de junho), Pará (de 25 de março a 5 de junho), Pernambuco (de 10 de abril a 4 de maio e 29 de maio à 8 de junho) Goiás (de 13 de maio a 3 de agosto), Acre (de 17 de junho a 18 de agosto), Roraima (de 10 de agosto a 22 de outubro), Rio Grande do Sul (de 31 de agosto a 11 de setembro) e Distrito Federal (de 25 de outubro a 12 de novembro).