As discussões políticas exacerbadas ocorridas no Facebook estão gerando o abandono desta rede social no Brasil por parte das pessoas que não utilizam a #Mídia para esta finalidade.

Segundo reportagem publicada no último domingo, 13, pelo jornal Folha de São Paulo, pouco antes do início das manifestações contra o Governo, a “debandada” da rede social de Mark Zuckerberg no Brasil se intensifica cada vez mais, em paralelo com a intensificação das discussões políticas no país (que tem o Facebook como um dos palcos principais) por conta da atual crise política e econômica.

De acordo com o especialista em ciberespaço e cibercultura, Pedro Massaro, tais discussões calorosas na rede social tendem a cansar os usuários que não compartilham destas ações.

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“Os discursos engajados e militantes no Facebook, e em qualquer outra mídia, como nos grupos do WhatsApp, já ultrapassaram os limites da aceitação por parte daqueles que não querem ser ‘metralhados’ de opiniões políticas, muitas das quais sem fundamentação alguma. Estas pessoas que estão deixando as mídias geralmente buscam as redes sociais por motivos mais leves; buscam novas formas de entretenimento e de obter conhecimento útil. Qualquer tipo de discussão agressiva, como tem ocorrido com relação a política, vai incomodar esse outro perfil de usuário, que tende mesmo a desativar suas contas”, explica Massaro.

Os grandes discursos políticos nas redes sociais foram apelidados de “textões”, e tem impulsionado, ainda mais, o abandono da mídia no país. Para Natalia Alencar, 23 anos, fotógrafa, que desativou sua conta no Facebook há três meses, permanecer nesta mídia virtual no Brasil se tornou algo insuportável.

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“As pessoas, que já haviam perdido o sendo do respeito ao próximo no mundo real, transferiram o desrespeito também para o ambiente virtual. Eu mal acessava minha conta e já era ‘bombardeada’ com textos enormes, cada vez mais agressivos e ofensivos, quase sempre sobre política. Eu apoio as discussões políticas, e quero que elas aconteçam sim, mas, em minha opinião, antes de jorrar suas opiniões verborrágicas nas páginas inicias dos outros, a pessoa deve ter um mínimo de bom senso e respeitar quem usa a rede social para outros meios. Para mim, permanecer no Facebook hoje no Brasil se tornou algo insuportável, por isso desativei”, afirma Natalia.

Cultura do Revide

Um agravante apontado pelo especialista Pedro Massaro é com relação a “cultura do revide”, bastante comum nas redes sociais, sobretudo, no Facebook, aqui no Brasil.

“A opção de poder comentar na postagem do outro faz com que a pessoa que não concorda com o que acabou de ler, impulsivamente, responda expondo também a sua opinião, que quase sempre é em um tom crítico.

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Isso gera a tréplica de quem postou inicialmente e, no fim, tudo vira uma grande discussão, que envolve outras pessoas que entraram na conversa. É como uma ‘bola de neve’ que vai se formando até despencar e se transformar em ofensas pessoais, que nada tinha haver com a discussão inicial. Isso já acontecia antes com as discussões sobre futebol, agora está acontecendo com as discussões políticas entre quem é pró ou contra o Governo”, diz Massaro.

Ainda de acordo com a publicação da Folha, já existem estudos nos Estados Unidos que evidenciam a queda de usuários no Facebook por lá. No Brasil, no entanto, ainda não existem estudos semelhantes, mas, segundo especialistas, o provável é que esta queda também já esteja acontecendo por aqui, onde os jovens cada vez mais preferem migrar para mídias que não ocorram os famosos “textões”, como o Instagram e o Snapchat. #Curiosidades #Crise no Brasil