A adolescente de iniciais M. M. C. foi encontrada morta no domingo, 20 de março, em um terreno baldio no Bairro Vitória Régia, na cidade de Sinop, a cerca de 500 km de Cuiabá. Acredita-se que ela tenha sido assassinada a pauladas.

Apresentando sinais de espancamento e ferimentos na cabeça, a jovem usava roupas femininas e uma peruca foi encontrada em sua bolsa, mas foi tratada pelo site G1 como "homossexual" - o equívoco foi também repetido por uma série de outras páginas que compartilharam a notícia.

Ela foi encontrada atrás de um prédio em construção, local próximo a uma danceteria onde teria ido na noite anterior. A Polícia Militar foi acionada pelos trabalhadores da obra que chegaram pela manhã.

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Ainda, de acordo com o G1, a Polícia disse se tratar "de um homem com roupas de mulher", declaração que, claramente, desrespeita a identidade da vítima ao não se cogitar ser uma jovem travesti.

Porque a bolsa e o celular da vítima ainda foram encontrados com ela, descarta-se a hipótese de latrocínio - roubo seguido de morte. Segundo declaração do delegado da Polícia Civil da cidade, há indícios de que a adolescente fazia programas em Sinop "como travesti" - reduzindo a travestilidade a uma prática. Até o momento, nenhum suspeito foi identificado.

A mãe, que preferiu não se identificar, contou que a filha saiu na noite anterior para ir a um clube e não voltou para casa. Ela também não confirmou se a filha se prostituía. A suspeita é de que o ataque tenha ocorrido logo depois de ela ter deixado o clube, onde foi com um amigo.

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Mais uma vez, o #Crime parece ter sido motivado pelo ódio - parte da cabeça da vítima afundou com os golpes. O delegado chegou a afirmar que a polícia investiga um provável crime de homofobia, tratando a vítima como homossexual. Portanto, mais uma vez, a maneira como a notícia foi divulgada coloca a travesti destituída do direito ao respeito por sua identidade de gênero feminina, prática comum entre os meios de comunicação até hoje.

Depois de encaminhado ao Instituto Médico Legal, o corpo foi liberado para sepultamento. #Casos de polícia