Nesta quinta-feira, 17, o juiz Sérgio Moro decidiu falar sobre os grampos aos telefones do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com ele, não há nenhuma irregularidade jurídica no fato da presidente da república Dilma Rousseff ter sido flagrada em uma conversa com seu companheiro de partido. O juiz explica que o flagrante de Dilma foi fortuito, ou seja, ocasional. Sérgio Moro falou ainda que Rousseff não é oficialmente alvo da Lava Jato, investigação que apura o desvio da corrupção da Petrobrás. #Lula, no entanto, segundo Moro, é assim investigado, já que existem suspeitas de que ele recebeu benefícios de empresários que são alvo da Lava Jato.

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Uma das investigações gira em torno de um sítio em Atibaia, que é apontado como do ex-presidente, o que ele nega. 

As declarações de Moro foram dadas pouco tempo depois da conturbada posse de Lula no Ministério da Casa Civil. A posse foi cercada de muitos gritos e da fala de #Dilma Rousseff, que se mostrou contrária as gravações que flagraram sua conversa com o líder do Partido dos Trabalhadores, o PT. Manifestantes do partido, que estavam no Palácio do Planalto, chegaram a gritar pedindo a expulsão de Moro como o mentor das investigações da Lava Jato. Meia hora depois de Lula virar Ministro, a justiça federal enviou um ofício para Rousseff anulando a decisão por considerar ela ilegal. Apesar de caber recurso, até o fechamento desta reportagem, Lula não era mais Ministro da Casa Civil. 

Sérgio Moro atentou ainda que as gravações feitas eram reais e mostravam mesmo Dilma no grampo.

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Sobre o fato delas terem sido feitas depois que ele já havia solicitado que fossem interrompidos os grampos contra o ex-presidente, o juiz explica que existe um tempo entre pedir que as gravações sejam interrompidas e as operadoras telefônicas cortarem os grampos. Foi exatamente entre uma coisa e outra que Lula e Dilma foram flagrados. Ele informou ainda que a conversa não será excluída da investigação, pois o seu conteúdo é extremamente relevante. 

Já a Polícia Federal diz que seu papel é mostrar todas as provas colhidas para a justiça, sendo apenas ela capaz de decidir sobre o que vai acontecer e como estas serão tratadas. "A democracia em uma sociedade livre exige que os governados saibam o que fazem os governantes, mesmo quando estes buscam agir protegidos pelas sombras", explicou o juiz tentando dizer que nem Dilma tem foro privilegiado absoluto.  #Impeachment