“Não vai ter golpe”, assim afirmaram milhares de manifestantes por todo o país que foram às ruas na última sexta-feira (18) defender a permanência da presidente #Dilma Rousseff no poder. Com a abertura do processo de #Impeachment na Câmara dos Deputados e a indecisão judicial a respeito da legalidade da posse do ex-presidente Lula como ministro da Casa Civil, Dilma se vê cada vez mais ameaçada no posto que ocupa e alguns remetem o contexto atual àquele do Golpe de 1964, quando foi deflagrada a Ditadura Militar no Brasil.

Crise e economia

Consultado pela Blasting News Brasil, o professor de história Luciano Guedes lembra é que preciso compreender que desde a Proclamação da República, em 1889, o Brasil passa por ciclos de dez, vinte ou trinta anos que culminam com uma instabilidade política.

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Segundo ele, “Longe de conspiração ou de qualquer outra ideia, há um ciclo cronológico influenciado pelo próprio sistema capitalista, que tem seus ciclos de crescimento, de estabilidade e de queda. Isso, evidentemente, influencia diretamente nas questões políticas”.

A partir dessa premissa, é possível traçar algumas semelhanças entre o contexto de 1964 e o contexto atual. Em ambos os casos, aponta Guedes, “a palavra crise se faz presente”. Do mesmo modo que João Goulart, Dilma se encontra sem o devido apoio do Congresso para dar prosseguimento aos projetos de seu #Governo e também não encontra o respaldo popular que gostaria ao apresentar índice de popularidade baixo.

O mesmo vale para a economia, um dos pontos mais criticados na gestão da atual presidente, que também se encontrava em crise na gestão de 1964.

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A principal diferença, no entanto, está no indicador econômico, já que o principal problema da economia do governo João Goulart estava na altíssima inflação, que chegou a 90% em 1964. “Hoje o problema da economia está no crescimento econômico, com o PIB caindo cada vez mais”, explica o educador.

Conservadorismo

Outro ponto destacado pelo professor que aproxima os dois contextos é a ascensão de uma camada conservadora da população em busca de ideais como o combate aos corruptos: “Em 1964 já existiam os paladinos que combatiam a corrupção”, afirma. A esse respeito, Guedes lembra a exaltação de parte dos manifestantes pró-impeachment no dia 13 de março ao juiz Sérgio Moro, que no contexto atual representa para muitos esse paladino da justiça em sua “caça às bruxas”.

O professor também lembra que parte da ala conservadora dos anos 1960, a exemplo do que ocorre agora, buscava um resgate da moral e dos princípios religiosos. No momento atual, essa guinada estaria representada pela presença no Congresso Nacional da chamada bancada BBB (Boi, Bala, Bíblia), que pode ser aproximada à antiga TFP (Tradição, Família e Propriedade), responsável por organizar a Marcha da Família com Deus pela Liberdade – uma série de manifestações ocorridas entre 19 de março e 8 de junho de 1964, que reuniu grupos sociais contra a "ameaça" comunista.

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Para Guedes, apesar de haver acusações contra o Governo atual de uma aproximação da estrutura política e econômica do comunismo, isso não seria verdadeiro. “Grosso modo, não há uma divisão (como nos anos 1960) entre capitalismo e comunismo. Mas isso, infelizmente, ainda continua muito presente da cabeça das pessoas de uma forma errada”, diz.

Judiciário

Por fim, o professor nos lembra da diferença entre o papel do Judiciário nos dois cenários. Segundo ele, a judicialização da política, como vem ocorrendo agora, é um fenômeno mundial. Mas em 1964 o Poder Judiciário não tinha a força que tem atualmente. Prova disso é que o Militares, logo após o Golpe, foram contra Constituição. “Hoje o papel do Judiciário é mais distinto, mais presente e define os rumos do País. Por exemplo, tenta-se tirar o Governo pela forma legal. Porém, o que também se vê no momento é um Judiciário seletivo”, conclui.